rio-de-janeiro

Noticias

Primeiro dia útil das novas interdições na Avenida Brasil é de congestionamentos na BR-040 e na Dutra

RIO - A ampliação das obras do corredor Transbrasil está complicando ainda mais o trânsito na já engarrafada Avenida Brasil. Nesta terça-feira, primeiro dia útil da extensão do trecho bloqueado, sofrem com congestionamentos motoristas vindos das rodovias Washington Luis e Presidente Dutra. Na Avenida Brasil, em direção ao Centro, há retenções de Bangu a Realengo; em Irajá, no trecho do Trevo das Margaridas até a Penha; e na altura da rodoviária.

Desde domingo, a interdição da pista central da via (as quatro faixas), no sentido Zona Oeste, passou de 1,5 quilômetro (em 15 de abril) para quatro quilômetros. O novo trecho fica entre as passarelas 14 e 17, de Ramos até a Penha (próximo a Cordovil). Antes, estava fechada entre as passarelas 12 e 14, na altura de Ramos.

- A Avenida Brasil é a principal via estrutural do Rio. Com esses quatro quilômetros de interdições, vamos ter que monitorar um trecho maior de obras e, se houver um acidente ou carro quebrado, os reflexos serão maiores - afirma Joaquim Dinis, diretor de Operações da Companhia de Engenharia de Trânsito (CET-Rio).

A orientação do órgão é que a população opte pelo transporte público, em especial pelo trem e o metrô durante o período das obras, estimado em 16 meses.

- Se a pessoa tiver que usar o carro, que evite os horários críticos, que são das 6h às 10h, no sentido Centro, e das 17h às 20h, no sentido Zona Oeste. Se pessoa tiver que vir de carro no horário do rush, que utilize então vias como a Avenida Martin Luther King e ruas internas dos bairros, como a Leopoldina Rego e a Avenida Leopoldo Bulhões.

De acordo com a SuperVia, desde 15 de abril, quando a interdição começou na Avenida Brasil, uma viagem extra passou a ser realizada todos os dias no ramal Saracuruna. Até o momento, no entanto, a concessionária afirma que "não registrou aumento considerável de passageiros por conta das obras". A empresa afirma que segue monitorando a demanda.

OPERAÇÃO DE TRÂNSITO TERÁ REFORÇO

Info - Transbrasil novas interdiçõesPara minimizar os impactos, nesse trecho da obra, a pista central da Avenida Brasil, no sentido Centro, continua operando em mão dupla, ou seja, duas faixas em cada sentido. E caminhões e carretas não podem utilizá-la. As pistas laterais continuam com funcionamento normal nos dois sentidos.

No pico da manhã, está previsto congestionamento na Avenida Brasil a partir de Irajá, afetando o acesso à via para quem vem da Dutra. Já os reflexos na Washington Luis devem ser verificados na altura de Duque de Caxias, de acordo com a prefeitura.

Para Dinis, a Linha Vermelha só será uma boa opção fora dos horário de pico, porque já estava muito impactada desde o começo das obras da Transbrasil.

- Como a Washington Luis será afetada pelas obras, os motoristas vão fugir logo da Avenida Brasil para a Linha Vermelha. Por isso, ela já terá o aumento de um reboque para essa nova fase. Com maior circulação de veículos, poderemos ter mais carros quebrados - avaliou Dinis.

Devido ao aumento da área bloqueada, a operação de trânsito será reforçada. No novo trecho de bloqueio será implementada sinalização específica para orientar e alertar aos motoristas. De acordo com a prefeitura, serão oito painéis de mensagens variáveis, além de 52 câmeras de monitoramento e seis reboques, já utilizados na operação da Avenida Brasil e das rotas alternativas. Na operação de tráfego, atuarão 65 operadores, distribuídos ao longo do dia. Eles estarão no local com a finalidade de atuar na fluidez e na orientação do trânsito, não só nos trechos das obras como também em todo o entorno. A Linha Vermelha terá aumento de um reboque para essa nova fase.

Duas agulhas da Avenida Brasil foram bloqueadas, uma da pista lateral para central, e outra da central para lateral, no sentido Deodoro. Em contrapartida, serão abertas duas novas agulhas entre as passarelas 16 e 17, uma em cada sentido. Em direção à Zona Oeste, a agulha será aberta da pista lateral para a central logo após o trecho interditado. Já a agulha sentido Centro ligará a pista central a lateral antes do estreitamento devido à inversão de sentido das duas faixas.


Globo Online | 02-Mai-2017 12:28

Criminosos explodem caixas eletrônicos em Duque de Caxias, na Baixada

RIO — Criminosos explodiram dois caixas eletrônicos de um estabelecimento comercial de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na madrugada desta terça-feira. A ação aconteceu na altura do número 1.390 da Avenida Nilo Peçanha. A ação ocorreu por volta das 4h30m.

De acordo com a Polícia Militar, os bandidos não conseguiram roubar o dinheiro, já que os PMs chegaram ao local a tempo de evitar que o bando levasse dinheiro, segundo informou o telejornal "Bom Dia Rio", da Rede Globo. Os caixas eletrônicos ficaram bastante danificados, com partes do dispositivos espalhados pela calçada, em frente ao local do crime.


Globo Online | 02-Mai-2017 11:51

Policiais militares e criminosos trocam tiros na Avenida Brasil

RIO — Policiais militares e criminosos trocaram tiros na Avenida Brasil, no início da madrugada desta terça-feira. Os integrantes do bando protagonizaram dois confrontos na via expressa. O primeiro fogo cruzado ocorreu na altura de Parada de Lucas, na Zona Norte, quando os bandidos, armados, desobedeceram a ordem de parada de uma patrulha da corporação. Um militar foi ferido por estilhaços no tiroteio. O automóvel da PM também foi atingido por disparos.

Os bandidos conseguiram fugir, mas foram encontrados, posteriormente, por outra equipe da PM. Na ocasião, houve um segundo tiroteio. Durante as ações na via expressa, um suspeito foi morreu, dois foram presos e um quarto conseguiu fugir. Foram encontrados com o bando um fuzil e uma pistola.


Globo Online | 02-Mai-2017 11:39

Suspeito por homicídios durante rebelião em presídio de Natal é preso no Rio

RIO — A Polícia Militar do Rio prendeu, na tarde desta segunda-feira, um homem apontado como um dos principais suspeitos pelos homicídios ocorridos durante a rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada na Região Metropolitana de Natal, no Rio Grande do norte. Identificado como Wildson Alves da Silveira, ele foi capturado durante um patrulhamento do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) na Linha Vermelha, altura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O suspeito estava foragido desde março do presídio Raimundo Nonato, também localizada no Rio Grande do Norte.

De acordo com a Polícia Militar, Wildson, apontado como um dos chefes de uma facção criminosa naquele estado, estava na região do Jacaré, na Zona Norte do Rio, desde a sua fuga. Nesta segunda-feira, ele, que não estava armado, seguia para o município de Duque de Caxias, no momento em que foi abordado por uma patrulha da PM.O trajeto era realizado por um veículo contatado pelo aplicativo Uber, informou a Polícia Militar. A ação ocorreu por volta das 16h30m.

— O veículo estava num local de alta periculosidade e de alto índice de delitos praticados. Devido à película protetora muito escura, a gente não conseguiu identificar o que estava no interior do carro. Então fizemos a abordagem e encontramos esse homem, que estava sem o documento de identificação. (Em seguida) quando começamos a fazer uma série de perguntas, ele começou a se embolar e, no fim, acabou dizendo o nome dele — afirmou o tenente do BPVE Thiago Jauhar.

Ainda segundo o BPVE, antes de ser capturado no Rio, o suspeito estava preso na penitenciária de Alcaçuz, mas, após as rebeliões que ocorreram na unidade em janeiro deste ano, ele foi transferido para o presídio Raimundo Nonato, de onde escapou em março.

Para a polícia, Wildson estaria se estabelecendo na comunidade do Jacaré, onde teria recebido "guarita" do tráfico local, já que a facção criminosa a qual pertence o suspeito e a outra qua atua na região do Jacaré possuem em comum rivalidade contra a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) .

— Ele (Wildson) estava voltando à atividade criminosa aqui no Rio de Janeiro, mas não havia perdido o contato com o crime que continuava gerindo em Natal. Por estar muito exposto (naquela região), Wildson procurou um local onde passasse mais despercebido. — explicou o tenente Jauhar.

Após a captura, o homem foi levado para a 59 DPª (Duque de Caxias), onde o caso foi registrado. Ele deve ser encaminhado, nesta terça-feira, para o Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio. O suspeito responde por crimes como homicídio, tráfico e associação criminosa.

No dia 14 de janeiro deste ano, 26 presos foram mortos durante uma briga entre facções criminosas no presídio de Alcaçuz. Posteriormente, para o controle da unidade, foi instalada no dia 25 de janeiro uma Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária, composta por agentes do Departamento Penitenciário Nacional, do Rio de Janeiro, de São Paulo, além do Distrito Federal.


Globo Online | 02-Mai-2017 10:41

Programa de assistência ao idoso, criado na Ilha do Governador, completa 20 anos

RIO - A equação parece complicada. À medida que a população envelhece, os cuidados com a saúde aumentam e a corrida aos hospitais também. Estes, por sua vez, sofrem para atender à crescente demanda por leitos e atendimentos emergenciais. A solução, porém, pode estar na vontade de ajudar.

Esse foi o pensamento do casal Guilhermina Galvão e João Gomes, responsável pelo Programa de Atendimento Domiciliar ao Idoso (Padi) da Ilha do Governador. O projeto, que completa 20 anos, começou no Hospital Municipal Paulino Werneck. Pioneiro, hoje ele é realizado em outros bairros da cidade e inspirou o Ministério da Saúde a implementá-lo em todo o país.

A ideia é dar assistência a quem sofre de problemas crônicos e acompanhar o tratamento destas doenças. Desse modo, acredita o casal, os pacientes procuram menos as unidades de saúde, já que o surgimento de complicações diminui.

O Padi do Paulino Werneck atende atualmente 69 pessoas e ainda é coordenado por Guilhermina e Gomes. Quase que diariamente, eles visitam idosos com doenças crônicas graves ou ainda com incapacidade funcional provisória ou permanente, oriunda de internações prolongadas e recorrentes, que os impede de se locomover. São pacientes que não têm autonomia e precisam da ajuda constante de familiares. A equipe conta com enfermeiro, fisioterapeuta, auxiliar de enfermagem, nutricionista, psicólogo e assistente social. Todos são funcionários públicos de carreira.

Segundo João Gomes, a instrução dada pela equipe aos parentes — relativa aos cuidados constantes que cada paciente precisa —, é um dos principais segredos do programa. Eles são orientados sobre a maneira correta de imobilizar, dar banho, fazer curativos e ajudar nos exercícios básicos e na fisioterapia.

— O cuidado do familiar é fundamental porque é o do dia a dia; eles são os nossos maiores parceiros. Não temos como estar com o paciente o tempo todo, por isso o nosso trabalho durante as visitas também é orientá-los sobre os cuidados diários — comenta Gomes. — Isso é fundamental para a evolução dos pacientes e diminui os atendimentos emergenciais. Sem falar na melhora na qualidade de vida deles.

O aposentado José Pedrosa da Silva, morador da comunidade Boogie Woogie, em Pitangueiras, sofre de Mal de Parkinson e de sequelas decorrentes de um AVC. Quem toma conta dele é a filha Simone dos Santos Silva. Sem experiência, ela encontrou apoio na equipe do Padi.

— Eles não só me orientam em relação à medicação, como me ensinam a fazer curativos, por exemplo. Eu fico muito mais segura — conta Simone.

A aposentada Edna Silva Barreto, de 80 anos, moradora do Jardim Carioca, chegou às mãos da equipe do Padi através do programa Médico de Família. Com sequelas de um AVC, ela quebrou o fêmur no ano passado e ficou acamada. Como o programa foca em pacientes com incapacidade funcional, o marido de Edna, David Barreto Filho, que cuida dela sozinho, se encheu de esperanças ao entrar em contato com o projeto.

— Não sabia o que fazer, porque não tenho ninguém para me ajudar a cuidar dela. A equipe do Padi me trouxe a força de que eu estava precisando. Agora, já estou com prática de dar banho e alimentá-la, graças às orientações que recebi sobre as posições em que Edna deve ficar e o tempo correto para mudá-la de lugar. Tudo isso tem ajudado. As escoriações têm diminuído — explica Barreto Filho.

Além de coordenadora do Padi, a médica Guilhermina Galvão é uma das maiores entusiastas do programa. Aos 67 anos, tem disposição de sobra para cuidar dos pacientes. Visita casas do Jardim Guanabara e das principais comunidades da Ilha do Governador com a mesma dedicação. A preocupação não é só com os idosos já inscritos no programa. Durante a visita de sua equipe à casa de Edna e David Barreto Filho, no Jardim Carioca, acompanhada pela equipe do GLOBO-Ilha, ela cobrou do aposentado a marcação de uma cirurgia de hérnia:

— Eu sei que ele está enrolando para marcar porque não tem ninguém para cuidar da esposa enquanto estiver se recuperando da cirurgia. Mas ele precisa contatar os filhos ou pedir a alguém para ajudá-lo. O que não pode é demorar mais para marcar — cobrou ela em tom bem humorado.

Pessoas que necessitem do atendimento prestado pelo Padi, mas que não estejam internadas, podem ter acesso ao serviço procurando a Unidade de Atenção Primária do Hospital Municipal Paulino Werneck. O caso será avaliado pela própria equipe de saúde da família ou incluído no Sistema de Regulação (Sisreg) para marcação da primeira visita da equipe do programa.

— É nesse encontro que avaliamos as condições do paciente e o tratamento mais adequado para o caso. A partir disso, montamos nosso cronograma de visitas. A periodicidade varia de um paciente para o outro — explica Guilhermina.

Criado como projeto piloto em 1997, o Padi Ilha foi uma iniciativa pioneira no Estado. Desde que foi expandido para todo o município do Rio, em 2010, o programa atendeu mais de 14 mil pessoas. Este ano, já foram 1.126 pacientes assistidos e, somente em janeiro, 12.390 procedimentos realizados em toda a cidade. Além do Hospital Municipal Paulino Werneck, as equipes estão instaladas nos hospitais municipais Salgado Filho, Miguel Couto, Lourenço Jorge, Pedro II e Francisco da Silva Telles, onde realizam a busca ativa nas enfermarias, com o intuito de identificar os pacientes com perfil para atendimento domiciliar.

O objetivo continua sendo o mesmo pensado para a solução da equação desenvolvida pelo casal Guilhermina Galvão e João Gomes há 20 anos: com assistência e acompanhamento, os pacientes vivem melhor e dependem menos dos hospitais.


Globo Online | 02-Mai-2017 09:30

UFRJ lança campanha com dicas para estudantes evitarem assaltos

Preocupada com o aumento da violência, a prefeitura do campus da Ilha do Fundão, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lançou uma campanha nas redes sociais para advertir os estudantes sobre os problemas de segurança. No alerta, são passadas dicas como não estudar no estacionamento, ou dentro do carro, não namorar no local, nem transitar com notebooks e celulares à vista.

UFRJ

A campanha reforça ainda a importância do registro formal dos crimes sofridos no campus, tanto na 37ª DP (Ilha do Governador) quanto na Divisão de Segurança (Diseg) da UFRJ. Em dezembro passado, a prefeitura da universidade lançou o número de WhatsApp 99413-3388 para que alunos, professores e funcionários pudessem comunicar ocorrências, pedir orientações e fazer denúncias. O canal funciona 24 horas por dia.

Representantes da universidade vêm se reunindo quinzenalmente com a cúpula do 17º BPM (Ilha do Governador) e da 37ª DP para tratar do policiamento e das investigações dos crimes que ocorrem no local. Até julho, a prefeitura da UFRJ pretende instalar novas câmeras em cada entrada do campus para registrar o movimento em todos os acessos, e principalmente as placas dos veículos que trafegam pela Ilha do Fundão.

Outra medida anunciada pela reitoria é a formação de um Conselho de Segurança da Cidade Universitária (CS Ciduni), junto com as empresas que têm unidades no campus.

O conjunto de ações para barrar o aumento da violência foi apresentado há um mês, após uma reunião entre a reitoria da UFRJ e o subsecretário de Segurança do Rio, Roberto Alzir Dias Chaves. No encontro, foi debatida a segurança no campus da Ilha do Fundão e o andamento do processo de investigação, pela Divisão de Homicídios (DH), do assassinato do estudante Diego Vieira Machado. Ele foi encontrado morto dentro nas instalações da UFRJ, em julho de 2016, com marcas de espancamento. As investigações ainda não foram concluídas.

Discutiu-se também a mancha criminal da Ilha do Fundão no mapa da segurança do Rio. De acordo com a Secretaria de Segurança, os dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do estado não refletem a real situação na UFRJ, pois muitas vítimas não fazem o registro das ocorrências. A última reunião entre os representantes da universidade e o comando de polícia da região foi há duas semanas.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)


Globo Online | 02-Mai-2017 09:30

Ilha do Governador terá Batalhas de rap freestyle

RIO - Dezesseis MCs vão se submeter à aprovação do público o poder de suas rimas improvisadas durante a batalha de rap freestyle da Roda Cultural da Ilha do Governador, na próxima quinta-feira. O evento, colaborativo, reunirá DJs e grafiteiros a partir das 19h, no pátio da Areninha Carioca Renato Russo (Parque Poeta Manuel Bandeira s/nº, Cocotá). Haverá também projeção de vídeos.

O evento está sendo organizado em parceria com o coletivo Soul Pixta, que desde 2013 faz a trilha sonora dos praticantes de skate do Aterro do Cototá. Para esta edição, estão programados ainda shows dos grupos Underground Coletivo, Liberdade Poética e Donan 021.

A Roda Cultural da Ilha do Governador, que completa quatro anos em 2017, tem promovido duelos eletrizantes de rap freestyle no bairro. O evento já atraiu nomes de destaque do gênero como De Leve e Felipe Ret. Nessas noites, o público chega a duas mil pessoas. Para o DJ e produtor SalleZ, a Roda Cultural surgiu da demanda de jovens da região por cultura. Ele diz que o objetivo é incentivar quem está começando.

— Na roda, a molecada tem acesso a diversas formas de arte. Os jovens percebem que podem fazer coisas incríveis com o skate, além de conhecerem os grafiteiros e aprenderem a rimar. Isso muda a vida deles, pois se dão conta de que também há possibilidade de se tornarem DJs, MCs ou grafiteiros. Queremos acabar com a ideia que eles têm de que só vence na vida quem entra para o tráfico — explica SalleZ.

Na próxima edição, oito disputas determinarão quem tem maior capacidade de improvisação nas rimas. Quem for vencendo as etapas seguirá nas batalhas até a grande final, em que duelarão os dois MCs que mais se destacaram. A escolha é sempre feita pelo público, que vota no preferido com gritos e aplausos. O vencedor ganhará brindes doados por apoiadores do evento. A entrada custa R$ 2.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)


Globo Online | 02-Mai-2017 09:30

Condições inadequadas para o rolé de skate na Ilha do Governador

RIO - Uma das principais áreas de lazer para os jovens da Ilha do Governador, a pista de skate do Aterro do Cocotá sofre com a falta de conservação. Muitos buracos e corrimões enferrujados tornam as manobras ainda mais arriscadas. Os problemas são os mesmos no bowl do corredor esportivo, no Moneró. Passada a chuva, os skatistas ficam sem opções para a prática do esporte, já que os desníveis do concreto formam grandes poças que demoram dias para secar.

A situação só não é pior porque os próprios praticantes organizam mutirões de conserto na pista. Munidos de pás e cimento, eles preenchem os buracos e alisam a superfície. Em diversas partes do local é possível ver as manchas formadas pela diferença de cor do cimento que usam, e é diferente do cinza do concreto original.

— A pista foi feita há dez anos e nunca passou por reforma. Não tem como um lugar como esse, que é bastante frequentado, se manter conservado sem reparo — reclama o skatista Kelson Costa, que sonha com o dia em que a pista será reparada. — Estive recentemente em Campo Grande, e a pista de lá também é bastante antiga e estava bem deteriorada, mas foi reformada e agora está ótima.

Costa, que atua como uma espécie de síndico da pista, diz que seus colegas já se organizaram para oferecere aulas de skate para as crianças, mas as condições do espaço inviabilizaram a empreitada.

— Do jeito que está, só mesmo sendo experiente para andar aqui. Para iniciantes é muito perigoso, não recomendo — comenta o profissional.

O skate park do Cocotá é formado por diversas rampas e transições, além de uma grande halfpipe (estrutura em forma de U). Para o jovem Lucas da Silva Almeida, morador do Jardim Guanabara, essa é a única opção para praticar a modalidade street na Ilha.

— Para manobras de traição e corrimão, só aqui. Se não, é preciso ir ao Centro ou à Zona Sul — diz ele.

No bowl do corredor esportivo, a situação não é diferente. Com a borda enferrujada, o local acumula água sempre que chove.

— Fica inviável andar aqui durante dias. Temos que torcer para não chover — diz o skatista Sidney Gonzaga.

Por meio de nota, a Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma) informa que fará uma vistoria no local para elaborar as ações necessárias para a recuperação da pista de skate e do bowl do corredor esportivo.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)


Globo Online | 02-Mai-2017 09:30

Órgão encarregado de projetos habitacionais no estado corre risco de ser despejado

RIO - “Perdi a capacidade de sentir frio ou calor. A gente acaba se acostumando a passar horas numa sala com janelas lacradas e sem ar-condicionado. Eu e meus colegas trazemos ventiladores de casa para conseguir trabalhar”. Assim uma antiga funcionária da Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (Cehab-RJ) resume o dia a dia no prédio de 11 andares ocupado pela empresa na Rua da Quitanda 80, no Centro. O aluguel do imóvel está atrasado desde julho de 2015. A luz chegou a ser cortada em junho do ano passado e só foi religada cinco meses depois — e por decisão judicial. Mas, desde que faltou energia, o ar-refrigerado central não funciona. Apesar de ter vasto patrimônio de 31 terrenos com cessão de uso, incluindo aqueles onde funcionam o Planetário e o estacionamento da PUC, além de 35 outros não cedidos — a empresa vive hoje na penúria, às custas de recursos do Tesouro estadual, usados principalmente para arcar com salários e encargos trabalhistas de seus 275 empregados celetistas e 34 comissionados, cuja folha salarial somou R$ 4,45 milhões em abril, devendo chegar a R$ 57 milhões este ano. Para piorar, a companhia corre o risco de despejo. Links_cehab

A Cehab é proprietária de uma área de mais de 7,44 milhões de metros quadrados espalhada por vários municípios, dos quais 74 mil estão cedidos. É na Gávea, entre as ruas Marquês de São Vicente e Padre Leonel Franca, que está o patrimônio mais nobre da companhia. São cinco lotes, que somam mais de 25 mil metros quadrados. Só o do Planetário tem 10,4 mil metros quadrados. A área cedida à Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) para implantar seu estacionamento tem 11,6 mil metros quadrados, incluindo o trecho onde será construída a estação Gávea do metrô. Outro terreno, de 4,3 mil metros quadrados, é dividido pelo Tribunal de Justiça e pela Secretaria estadual de Saúde. Há ainda dois terrenos na vizinhança, remanescentes do Conjunto Habitacional Marquês de São Vicente (Minhocão), que estão em avaliação.

Das 31 cessões, só a da PUC rende contrapartida. Pela utilização do terreno, a universidade repassa R$ 139 mil mensais. Um dinheiro, aliás, que a Cehab não vê a cor. Por conta das ações trabalhistas contra a empresa, ele fica bloqueado numa conta judicial para pagar indenizações.

— Ao longo de anos, o estado tratou a Cehab como órgão. Não respeitou a autonomia da empresa. Agora é que recomendei que mandassem ofício ao metrô, perguntando que tipo de regularização será dada ao terreno da Gávea. Imagina uma estação do metrô? Quanto precisa remunerar à Cehab? — indaga o procurador Augusto Werneck, coordenador jurídico da Cehab.

Planetário não paga nada há 45 anos

A companhia avalia em R$ 158,6 milhões os imóveis com cessão de uso. Nove dos 35 não cedidos — usados informalmente por órgãos públicos ou estocados para futuros empreendimentos imobiliários — valeriam pelo menos R$ 8,1 milhões. Vinte e seis dos que não foram cedidos, no entanto, ainda estão sendo avaliados. Na lista de bens da companhia estão três terrenos em São Pedro da Aldeia, um deles com 63,6 mil metros quadrados, e um em Santa Cruz, de 247 mil metros quadrados.

— Essas avaliações são acadêmicas, a partir de variáveis. Não levam em consideração o valor de mercado. Os R$ 158 milhões podem representar R$ 250 milhões, R$ 280 milhões. O que está com a PUC, por exemplo, avaliado em R$ 93 milhões, pode valer 70% mais — afirma Werneck.

A grande questão, segundo o procurador, não é o valor de mercado, mas o fato de que os imóveis da Cehab “não podem ficar sem render”:

— Há 45 anos, a prefeitura não nos dá nada pelo Planetário. Vamos discutir uma permuta. A prefeitura poderia trocar o terreno do Planetário, por exemplo, pelo imóvel onde funciona o IPP (Laranjeiras) ou a RioUrbe (Botafogo). Assim deixaríamos de pagar aluguel. O Planetário tem um estacionamento rentável, teatro, restaurante novo.

Negociações futuras à parte, uma reunião de conciliação entre a Cehab e um credor, cuja indenização de R$ 940 mil quase levou o terreno do Planetário a leilão no dia 18 de abril, está prevista para quinta-feira. Werneck vai sugerir no encontro que a prefeitura pague a dívida. Em paralelo, está auditando o valor. Na semana passada, a 12° Vara da Justiça do Trabalho suspendeu um novo leilão do imóvel, nos dias 2 e 9 de maio. A dívida que motivou a venda, dessa vez, é de R$ 10 mil, de acordo com o advogado Rafael Pinaud Freire.

Se o leilão fosse realizado, no entanto, a quantia arrecadada poderia ser usada para pagamento de outros débitos. Isso porque o juiz Elísio Corrêa de Moraes Neto, da 23ª Vara do Trabalho, expediu documento determinando que o excedente fosse usado para cobrir indenizações de ação na qual 140 credores reivindicam R$ 153 milhões desde 1995.

Contra a Cehab, tramitam na Justiça 320 ações trabalhistas — algumas incluem vários autores —, e a provisão da companhia para cobrir indenizações é de R$ 65 milhões.

Há pouco mais de dois anos, a Cehab foi transferida do Banerjão — cedido pelo estado à Alerj — para o prédio da Rua da Quitanda, que está subutilizado: parte dos empregados está trabalhando em espaços emprestados pelas secretarias de Obras e Fazenda e em agências da companhia. Como a limpeza é feita pelos próprios servidores, alguns banheiros estão fechados. O 9º andar, onde funcionou a Secretaria de Habitação, extinta em junho do ano passado, está vazio. Somando aluguel, condomínio e energia, a companhia calcula ter acumulado, até março, uma dívida de R$ 12,1 milhões com a Sergio Castro Imóveis, administradora do edifício. Werneck tenta na Justiça reduzir o valor, alegando o período sem luz e ar-condicionado. Diretor da empresa, Cláudio Castro, porém, sustenta que a quantia devida é de R$ 15 milhões:

— Em dezembro, entramos com ação de despejo. E vamos executar imóveis da Cehab, que não é uma empresa de economia mista (99,43% das ações são do estado, e o restante é da prefeitura e de quatro acionistas minoritários). Tem até banco na composição acionária.

Segundo Cláudio, o ar-condicionado não foi cortado; só não pode funcionar:

— Como o prédio ficou sem luz durante meses, o aparelho, que é inteligente e nos custou R$ 5 milhões, tem que ser reprogramado. O serviço custa R$ 40 mil.

Mutuários devem prestações

O relatório financeiro de 2016 mostra a gravidade da situação. Só no ano passado, a Cehab teve prejuízo de R$ 25,77 milhões. Ao longo dos anos, já são R$ 157 milhões. As dívidas a terceiros chegam a R$ 932 milhões. Por outro lado, a empresa tem R$ 810 milhões a receber. Só de mutuários de 130 mil imóveis que construiu são R$ 26,8 milhões.

As despesas só aumentam. Os gastos da Cehab com pessoal e encargos aumentaram de 2015 para 2016: de R$ 41,98 milhões para R$ 56,28 milhões, sobretudo por causa da reintegração de demitidos, ordenada pela Justiça. A reduzida receita de R$ 76,49 milhões do ano passado — reduzidas quase à metade em relação a 2015 por causa da crise —, foi só para pagar funcionários, incluindo 14 cedidos a outros órgãos. Para o resto, sobraram R$ 20,2 milhões.

— Tecnicamente, é uma empresa quebrada — sentencia Gilberto Braga, economista, especialista em finanças e professor do Ibmec-RJ.

A reboque das dificuldades financeiras do estado, as obras da Cehab estão paralisadas. A companhia informa, porém, que tem nove contratos para construir unidades habitacionais em vários municípios — dois deles aguardando licenciamento ambiental —, além de obras para a recuperação de 16 conjuntos. Os investimentos totalizam R$ 240 milhões do Fundo Estadual de Habitação de Interesse Social, faltando executar R$ 96 milhões. Com a extinção da Secretaria de Habitação, a Cehab passou a ser vinculada à Secretaria de Obras. Procurado, o secretário José Iran Peixoto não se manifestou.

Escândalo na gestão de cunha

Criada em 1965, com o nome de Companhia de Habitação Popular do Estado da Guanabara (Cohab-GB) para viabilizar a política de remoção de favelas, a empresa viveu sua fase áurea até 1974, período em que construiu 32 conjuntos habitacionais com mais de 40 mil unidades. Em menos de três anos, foram erguidas as vilas Aliança, em Bangu; Kennedy, em Senador Camará; e Esperança, em Vigário Geral.

A empresa virou Cehab com a fusão dos estados do Rio e da Guanabara. E esteve em destaque nos noticiários em abril de 2000, quando foi divulgado dossiê contra a companhia, presidida na época pelo ex-deputado Eduardo Cunha, cassado e condenado na Lava-Jato. As denúncias de 17 anos atrás envolviam esquemas de cobrança de propina em cartórios e em licitações de obras. As irregularidade provocaram um escândalo no governo de Anthony Garotinho e o afastamento de cinco pessoas da Cehab, incluindo o próprio Cunha.

De novo em 2014, a Cehab voltou a ser notícia de jornal em novo escândalo. Era período eleitoral. E dezenas de conjuntos de baixa renda, que passavam por recuperação estrutural e de fachada a um custo de R$ 260 milhões para o estado e a prefeitura, viraram moeda eleitoral. Em boa parte desses condomínios — incluindo o Pedregulho, em Benfica, e o IAPI, de Del Castilho, ambos construídos e reformados pela Cehab —, materiais de propaganda foram instalados a poucos metros das placas informativas dos governos sobre obras em andamento e também em conjuntos cujas intervenções já tinham terminado.


Globo Online | 02-Mai-2017 09:30

Fantasmas da Saúde terão que devolver R$ 615 mil à prefeitura

RIO - Uma operação “caça fantasmas”, inédita na prefeitura, vai punir quatro funcionários que, há anos, recebiam salários sem trabalhar, e outros dois que faziam vista grossa para a irregularidade. O Tribunal de Contas do Município (TCM) condenou, na semana passada, três médicos e uma enfermeira, que já foram lotados na Secretaria municipal de Saúde, a ressarcirem a prefeitura em um total R$ 615.200,30. Links_tcm

Em um dos casos, a médica Mariana da Silva recebeu R$ 337.084,76 (em valores atualizados) de forma irregular por dez anos e três meses. Após abandonar o cargo, ela se mudou para Porto Alegre e continuou a ter os salários depositados normalmente, chegando a alterar o número da conta bancária para receber os pagamentos, segundo informações do relatório analisado pelo plenário do TCM.

Dois servidores que controlavam o ponto dos colegas no Centro Municipal de Saúde Rodolfo Rocco, em Del Castilho, foram multados. O chefe do RH, Fernando da Costa Silva, em R$ 42.871,76, e o médico Paulo Cesar da Silva Braga, em R$ 4.287.

De acordo com o TCM, essa foi a primeira vez que o órgão identificou a existência de servidores que recebiam sem trabalhar. A descoberta aconteceu durante uma inspeção de rotina do TCM à unidade médica, realizada em 2013, quando teve início o processo que resultou nas condenações. Dos seis acusados, quatro contestaram as acusações mas os argumentos não foram aceitos pelo tribunal. A enfermeira Rosilene Araújo de Oliveira e o pediatra Edilson Ribeiro Machado, que estão entre os acusados de receberem sem trabalhar, não foram encontrados pelo TCM . Eles acabaram condenados à revelia. A homeopata Heloísa Lopes de Souza deu explicações que não foram aceitas pelo tribunal.

Médica diz que houve erro

Desde sexta-feira, O GLOBO tentou localizar os seis acusados, sem sucesso. Em nota, a Secretaria municipal de saúde informou que nenhum deles trabalha mais na prefeitura. E anunciou que pretende fazer um censo para identificar em que situação se encontram todos os seus funcionários.

Segundo o TCM, os ex-servidores continuaram a receber devido a irregularidades no departamento de Recursos Humanos da unidade. O chefe do setor Fernando da Costa Silva é acusado de reter em um armário os contracheques e cartões de pontos dos profissionais que haviam abandonado os cargos, dificultando que a irregularidade fosse detectada. Outra prova encontrada pelo TCM foi um ofício enviado ao Ministério do Exército em 2007 no qual era informado que a médica Mariana não trabalhava mais na prefeitura desde 2003. Em sua defesa, Fernando alegou que vivia sobrecarregado de trabalho e que passou por problemas pessoais no período em que chefiou a unidade. Além disso, argumentou que, para lançar as faltas, dependia das informações de chefes de setores.

O segundo servidor responsabilizado pelo TCM foi Paulo Cesar da Silva Braga, médico que, na época, chefiava o Centro Municipal de Saúde. Ele era responsável pela avaliação do trabalho de três dos “fantasmas”, o que permitiu que eles acrescentassem aos salários gratificações por desempenho. Além disso, segundo a acusação, Paulo Cesar ratificou a folha de ponto da médica Mariana da Silva em 2007 — quatro anos após ela ter deixado o cargo.

O relatório do TCM detalha os argumentos de defesa dos dois funcionários fantasmas que foram localizados. Mariana da Silva alegou desconhecer que recebia pagamentos indevidos porque acreditava estar exonerada desde 2003. No entanto, admitiu que, em 2010 e 2011, havia sido notificada pela Receita Federal por ter omitido em sua declaração vencimentos recebidos da prefeitura. Por sua vez, a homeopata Heloísa Lopes de Souza alegou que pediu licença sem vencimentos, mas que, mesmo assim, os salários eram depositados. Ela alegou ter sido vítima da má gestão da chefia do RH. Heloísa argumentou ainda que, ao ser notificada pela prefeitura, devolveu R$ 90,7 mil. Mas, de acordo com os cálculos da corte, ela ainda tem que devolver R$ 24.010,86.

Quem é quem

Mariana da Silva: médica acusada de receber sem trabalhar entre abril de 2003 e julho de 2013. Condenada pelo TCM a devolver à prefeitura R$ 337.084,76.

Rosilene de Araújo Oliveira: enfermeira acusada de receber sem trabalhar de julho de 2010 a abril de 2013. Condenada a devolver R$ 145.202,15.

Edilson Ribeiro Machado: pediatra acusado de receber sem trabalhar de julho de 2010 a abril de 2013. Condenado a devolver R$ 108.902,53.

Heloísa Lopes de Spiza: homeopata acusada de receber sem trabalhar de janeiro de 2011 a junho de 2013. Ao se desligar oficialmente da prefeitura, em 2016, Heloísa devolveu R$ 90.766,76. Para o TCM, ela ainda precisa pagar R$ 24.010,86.

Fernando da Costa Silva: ex-chefe do setor de RH do Centro de Saúde Rodolfo Rocco, em Del Castilho. Ele foi multado em R$ 42.871, 76 por irregularidades no setor.

Paulo Cesar da Silveira Braga: ex-chefe do Centro de Saúde Rodolfo Rocco, que assinou avaliação dos servidores. Multado em R$ 4.287,17.


Globo Online | 02-Mai-2017 09:30

Vítima de acidente no carnaval é enterrada em cemitério no Caju

RIO — Uma morte difícil de compreender e, mais ainda, de aceitar. Liza Carioca, como era conhecida Elizabeth Ferreira Jofre, parecia bem nas fotos que sua família postava nas redes sociais durante a internação no Hospital Municipal Souza Aguiar, mas teve uma piora repentina na última semana, com infecção hospitalar, e morreu no último sábado. Em seu enterro, na tarde desta segunda-feira, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, parentes e amigos choravam juntos a perda da radialista, atingida por um carro alegórico da Paraíso do Tuiuti, na abertura do carnaval. Links_tuiuti 30/4

Estiveram presentes os presidentes da Portela, Luís Carlos Magalhães, do Salgueiro, Regina Celi, a porta-bandeira da Beija-Flor, Selminha Sorriso, e também o presidente da Liesa, Jorge Castanheira.

— A liga e as escolas fizeram o possível para ajudar a Liza. Ela foi transferida para o CTI do Quinta D'Or quando começou a piorar. Infelizmente não resistiu, é uma perda para todo o mundo carnavalesco — disse Castanheira.

Segundo ele, está em processo a negociação com a seguradora Mapfre para definir o valor que irá receber cada uma das vítimas, tanto do acidente no desfile da Tuiuti quanto da queda de um andar de uma alegoria da Unidos da Tijuca.

Paulo Guterres, marido de Liza, disse pouco após o enterro. Segundo ele, sua morte “não é uma mancha negra no carnaval”.

— Eu que coloquei ela nessa maluquice, ela não era do ramo, mas abraçou a causa do meu lado de maneira digna e profissional. Agradeço aos fãs que acompanhavam nossas transmissões, aos amigos que deram força e rezaram por ela. Esse episódio não é uma mancha negra no carnaval. É um marco.

Há poucos dias, a filha de Liza, Raphaella Ferreira Pontes, postou no Facebook uma mensagem sobre a piora repentina no quadro da radialista, que estava internada há mais de dois meses.

“Ela está num quadro muito, muito grave e o que podemos fazer agora é orar, pedir muito a Deus pela sua vida. A piora dela foi muito grande desde o fim de semana. Quadro de anemia e agora também de infecção generalizada. Pra nós foi um baque porque ela estava visivelmente bem, mas como nao somos médicos, nunca passamos por tal experiência e somos leigos, por dentro dela tudo já estava mudando muito rápido sem que a gente percebesse”, escreveu a filha.

Poucos dias antes, no dia 20 de abril, Raphaella relatou como foi o dia de sua mãe no hospital:

“Hoje estamos de óculos novos da moda de oncinha que a filha escolheu, coque mais alto na cabeça pra não embolar e dar nó nos cabelos enormes. Limpamos as orelhas com cotonete de bebê e estamos também de edredom novo de passarinhos e borboletas. Viva a natureza! Já cortamos as unhas dos pés e das mãos. Não importa se está no hospital; largada e feia jamais ficará. Nunca gostei tanto de uma boneca assim na vida. Coisa linda da filhota!”

Segundo uma amiga de Liza, que preferiu não se identificar, houve negligência por parte da equipe médica.

— A gente começou a perceber que as feridas das cirurgias estavam inflamando. Foram várias cirurgias, umas sete ou oito. Os médicos disseram que estava tudo dentro da normalidade. No último domingo ela piorou muito, estava estranha, delirando. Piorou mais na segunda-feira, não estava reconhecendo as pessoas. A transferência para o Quinta D’Or foi apenas na quarta, ela já chegou lá muito mal, morreu dois dias depois.

No dia 8 de abril, dia em que seu neto completou 11 meses, Liza escreveu no Facebook:

“Hoje a vovó não vai poder te dar um abraço gostoso. Mas saiba que te amo demais. Você é o meu amor, meu porto, meu chão”, disse. Sua última postagem foi no dia 23 de abril. Uma foto com um amigo e um agradecimento pela visita. Foi a última que ela recebeu: no dia seguinte os médicos suspenderam todas as visitas.


Globo Online | 02-Mai-2017 00:18

Prefeitura vai recorrer se houver decisão favorável a aumento na tarifa dos ônibus

RIO - O prefeito Marcelo Crivella afirmou que vai recorrer de um possível aumento nas tarifas dos ônibus. Como o GLOBO anunciou nesta segunda-feira, a Secretaria municipal de Transportes analisa as conclusões de uma auditoria, contratada pelo Rio Ônibus e pelos consórcios da cidade, que prevê uma nova tarifa para os coletivos de, pelo menos, R$ 5,30. O prefeito justificou dizendo que os BRTs trouxeram economia para as empresas de ônibus e que elas estão transportando muito mais passageiros do que o calculado para se obter lucro. Links_passagem

- Nós não podemos cumprir uma decisão como essa. Nós vamos apelar, recorrer. O Rio de Janeiro é a única cidade que ainda não aumentou a passagem no Brasil inteiro. Nós temos razões para defender que a passagem continue a mesma. Por que nenhuma cidade do Brasil, nem São Paulo, fez as obras que nós fizemos para termos o BRT. Nós deslocamos milhares de pessoas, pagamos bilhões de reais para que os ônibus pudessem ter, e os nossos passageiros, uma via exclusiva em que eles (ônibus) gastassem menos pneus, menos combustível, pudessem ganhar mais recursos. O ponto de economia, o ponto de lucro seria 90 mil passageiros (por dia no BRT). As informações que eu tive são que eles estão transportando, graças a Deus, 500 mil passageiros. Por tanto, a lucratividade é bem acima daquela que foi prevista - afirmou após participar de um encontro com moradores do Complexo do Alemão.

O início do processo de revisão tarifária foi determinado, na semana passada, pela juíza Luciana Losada Albuquerque Lopes, da 8ª Vara de Fazenda Pública, no mesmo processo em que o Ministério Público Estadual questiona por que toda frota não foi climatizada até o fim de 2016, como havia sido acordado. Em sua reclamação, Crivella lembrou que as empresas obtiveram lucro elevado durante a Olimpíada.

- Isso tem que ser considerado na hora de a gente calcular o preço da passagem. No ano passado, as nossas companhias, os nossos ônibus ganharam muitos recursos com a Olimpíada. Eles transportaram milhões de passageiros e com ônibus executivo, que estão também funcionando agora. As tarifas dos ônibus executivos são uma forma de a gente contrabalancear, compensar isso o que eu estou pedindo a eles, um sacrifício para manter o preço da passagem. Mas por quê? Por que eu quero? Não! É por que nós temos 350 mil desempregados no Rio de Janeiro. Nós estamos vivendo a pior crise da nossa história recente, do nosso tempo contemporâneo. Todos nós precisamos de sacrifícios.

E concluiu comparando o atual momento com o que viveu o ex-prefeito Eduardo Paes. Ele também reforçou um apelo aos empresários.

- Quando Eduardo (Paes) ia para Brasília ele alugava um jatinho. Hoje, quando eu vou para Brasília eu uso milhas, meu plano de milhas. E é isso. Nós todos temos que nos sacrificar. Eu peço a eles que façam por amor ao Rio, por amor ao nosso povo, em respeito aos desempregados. Que eles nos ajudem e mantenham a passagem do jeito que está, como o pedágio também. Reclamou (a concessionária que administra a Linha Amarela), mas está segurando o preço do pedágio. É um apelo que eu faço em nome desse momento difícil que estamos passando - concluiu o prefeito.


Globo Online | 01-Mai-2017 21:30

Corpo de universitário morto com taco de sinuca é enterrado na Baixada

RIO - O corpo do universitário Bruno Mello Durange, de 28 anos, que morreu após ser espancado dentro de um bar na Baixada Fluminense, foi enterrado no início da tarde desta segunda-feira no cemitério Vila Rosali, em São João de Meriti. Bruno foi atingido com um taco de sinuca na cabeça durante briga no Floresta Bar, no bairro Vilar dos Teles, na sexta-feira. Ele estava internado no Hospital da Posse, mas morreu neste domingo. O universitário deixa uma filha de dois anos. Links_taco-sinuca

— Bruno era bom pai, bom filho. Uma pessoa boa — afirmou o padastro da vitima, Gilberto de Mello, que lamentou a brutalidade do crime:

— Deixaram ele deformado. Meu filho não merecia isso.

Segundo a polícia, o jovem estava no bar com amigos e familiares, quando começou uma discussão. Bruno teria entrado em luta corporal com possíveis seguranças do estabelecimento e outros frequentadores. Um dos homens teria atingido o universitário com o taco de sinuca. Ele cursava o 2º período da faculdade de Administração, e estava desempregado depois de ter perdido, no começo de 2017, o emprego de assistente administrativo no Hospital municipal Miguel Couto, no Leblon, Zona Sul do Rio.

Os donos do Floresta Bar denunciaram através de uma rede social que o imóvel teria sido alvo de uma tentativa de incêndio. Internautas acusam um dos sócios do estabelecimento de ter participado do crime. Ele nega o envolvimento e também afirma que os responsáveis pelo espancamento não eram seguranças da casa.

— Não podemos falar nada agora. Estamos indo ao advogado falar sobre o cliente que bateu no rapaz. Ele não era nosso segurança. Era cliente e estava bebendo como todos lá — afirmou um dos donos.


Globo Online | 01-Mai-2017 20:39

Crivella anuncia projeto para gerar emprego em comunidades do Rio

RIO - O prefeito Marcelo Crivella anunciou nesta segunda-feira, Dia do Trabalho, que enviou à Câmara de Vereadores em abril o projeto de lei Zona Franca Social, uma promessa de campanha que visa a incentivar a geração de empregos em comunidades e em regiões adjacentes da cidade. Ela prevê isenção de impostos, como IPTU e ISS para empresas que empregarem pessoas das comunidades, além de terem prioridade na contratação de serviços pela prefeitura.
- O projeto em que a prefeitura está lançando a lei, que os vereadores irão aprimorar , melhorar, se Deus quiser aprovar, para que nas áreas de comunidades da nossa cidade os empresários que ali gerarem emprego, que ali estabelecerem creches, poderão vender para a prefeitura com prioridade e também ficam isentos de impostos. Por exemplo, vamos supor que o sujeito faça um call center aqui no Morro do Alemão e empregue 50, 100, 150 meninos. Ele não vai pagar IPTU, não vai pagar ISS. E se a prefeitura precisar contratar um call center vai comprar dele.

O anúncio foi feito durante encontro com moradores do Alemão na Via Olímpica Carlos Castilho, que está fechada há cerca de seis meses por causa da crise financeira. Ele citou um exemplo que havia usado em sua campanha para a prefeitura do Rio.

- A prefeitura tem que comprar roupa para gari. Nós temos 18.000 garis. Aqui na comunidade tem uma senhora que tem dez máquinas de costuras, não sei se todos a conhecem. Se ela quiser fazer roupa para gari, a prefeitura, com a lei da Zona Franca Social, vai vir comprar roupa dela por que ela tem preferência. Pode ser roupa de guarda municipal, pode ser roupa de cama de hospital, cobertor, lençol, fronha, camiseta de escola, calção. Enfim, tudo isso que a prefeitura compra a ideia virá comprar aqui. Estou esperando que a lei possa incentivar negócios, empregos, renda para todas as comunidades - disse Crivella, entusiasmado.

Na reunião no Alemão, Marcelo Crivella provocou uma eleição para a escolha de um de três projetos elencados como prioridade para a comunidade. Os moradores, por maioria dos cerca de 150 presentes, elegeram a retomada dos projetos sociais voltados para jovens das comunidades locais que foram suspensos ao longo do tempo por causa da crise financeira. O prefeito ouviu mais de 20 oradores e suas reivindicações. Ele disse que por falta de recursos só poderia atender a um pleito. links alemão

- A gente precisa fazer uma coisa de cada vez, um passo de cada vez. O Eduardo (Paes) deixou a prefeitura quebrada. Gastou-se R$ 40 bilhões por causa da Olimpíada e nós estamos sem dinheiro. E nós temos que verficar o que é mais importante.Os outros dois projetos são reformar todas as áreas de lazer do Complexo do Alemão, entre elas praças, a Vila Olímpica e tornar todas as escolas muniicpais do Alemão em horário integral.Cerca de 150 pessoas participaram na manhã desta segunda-feira de um encontro com o prefeito Marcelo Crivella na Vila Olímpica Carlos Castilho, no Complexo do Alemão. Moradores, líderes de movimentos sociais, presidentes de associações de moradores expuseram reivindicações sobre melhoria das condições de vida das comunidades. Presidentes de 24 associações de moradores do alemão e da Penha participar do encontro, eles Marcos Valério Alves, representante da Associação dos moradores da Nova Brasília e Palmeiras.

Convidado a compor a mesa, Crivella iniciou sua fala pedindo um minuto de silêncio em respeito à família do jovem Felipe Farias Gomes, de 16 anos, ocorrida na última quarta-feira, quando ele foi atingido por um tiro de fuzil na testa, na avenida Itaoca no momento em que seguia para casa. Depois, Crivella estabeleceu uma ordem para que os moradores fizessem suas reivindicações. Ele deu três minutos para cada um expor suas demandas. Quando Mariluce Mariá, presidente do Educap (Espaço Democrático de União Convivência, Aprendizagem e Prevenção) se alongou em sua fala, o prefeito lembrou que só tinha dinheiro para um projeto.

- Na votação que fizemos o que eles pediram foi a retomada dos projetos sociais. Vamos verificar todos, os preços, os gastos de cada um deles, qual o alcance que eles têm. Dia 20 estaremos de volta aqui para mostrar dentro das possibilidades econômicas da prefeitura o que nós poderemos fazer. Nós temos visitado as comunidades para verificar aquilo que eles priorizam. Na Pavuna foi a questão do rio, em Realengo foi o Parque de Realengo, em Jacarepaguá foi a questão da segurança. Feita essa verificação e essas prioridades nós voltamos à prefeitura, elaboramos projetos, voltamos a nos reunir com eles, aprimoramos os projetos, corrigimos e depois implementamos. Vamos fazer isso em todas as comunidades. Hoje foi no Alemão - disse.


Globo Online | 01-Mai-2017 20:23

Estudante passará por cirurgia após ser atingido por bomba de gás em protesto no Rio

RIO - Um estudante de Filosofia da Universidade Federal Fluminense (UFF) vai passar por uma cirurgia após ter sido atingido por uma bomba de gás durante os protestos contra as reformas trabalhista e da previdência, na Cinelândia, no Centro do Rio, na última sexta-feira. Segundo Alexandre Costa, de 28 anos, que está internado no Hospital Municipal Souza Aguiar, ele foi cercado por policiais militares do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), quando um dos agentes disparou o artefato contra seu rosto. links manifestação sexta-feira

— Estava acompanhando a manifestação. A polícia chegou e foi empurrando o pessoal com bombas de gás até a Praça Tiradentes. Em uma das ruas transversais, perto da Central, a multidão se dissipou. Eu entrei numa dessas ruas. Três motocicletas do Choque, com dois policiais cada, vieram atrás de mim. Tentaram me acertar com as bombas. Eu continuei correndo, mas uma hora não deu mais — conta o estudante, que acabou cercado pelos agentes e recebeu ordens de parar, antes de ser ferido. — Um dos policiais atirou (a bomba de gás) e me acertou no rosto. Eles estavam a dois passos de mim.

Alexandre conta que, com o impacto, caiu no chão, mas não ficou inconsciente. Ele começou a se sentir sufocado com a fumaça liberada pela bomba e, ao notar que sangrava, decidiu correr para o Hospital Souza Aguiar.

— Foi covardia (o ataque) — afirmou o estudante, que precisou levar pontos no ferimento ao chegar à unidade de saúde. Ele vai operar a mandíbula em duas semanas. Enquanto isso, não consegue mastigar e, por isso, se alimenta com líquidos.

O estudante está avaliando se vai registrar o caso na ouvidoria do Ministério Público do Rio.

— Não sei até que ponto isso é benéfico para mim porque não vi o rosto dos policiais. Eles estavam todos mascarados — explicou.

Ao menos outras nove pessoas foram feridas durante os protestos no Centro do Rio. Entre eles, está o homem atingido por uma bala de borracha no rosto, que corre o risco de perder a visão de um dos olhos; e a bibliotecária Lucia Santos, que ficou ferida perto da boca por uma bala de borracha.

POLÍCIA: 'VÂNDALOS INFILTRADOS'

A Polícia Militar, em nota divulgada nesta sexta-feira, afirmou que "agiu em vários distúrbios, reagindo à ação de vândalos que, infiltrados entre os legítimos manifestantes, promoveram atos de violência e baderna pelo centro da cidade."

Leia a nota na íntegra:

"Desde o início da manhã desta sexta-feira (28/04), a Polícia Militar está realizando um patrulhamento intensivo por todo o estado do Rio de Janeiro, trabalhando para garantir que as manifestações reivindicatórias fossem realizadas em segurança e não impedissem o ir e vir da população.

No centro do Rio, policiais do 5ºBPM (Harmonia), do Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos (BPGE), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) e o Grupamento Tático de Motociclistas (GTM) do BPChq, estão desde a manhã com as equipes na ALERJ e na Cinelândia.

A Corporação agiu em vários distúrbios, reagindo à ação de vândalos que, infiltrados entre os legítimos manifestantes, promoveram atos de violência e baderna pelo centro da cidade. Até o momento, há notícias de saques e depredação de lojas, estações do Metrô e do VLT, ônibus e carros apedrejados e incendiados. A Polícia Militar continua nas ruas, buscando neutralizar a ação de vândalos que se passam falsamente como manifestantes."


Globo Online | 01-Mai-2017 18:31

Bibliotecária ficou ferida por bala de borracha durante protesto no Rio

RIO - Uma bibliotecária do Ministério Público Federal (MPF) foi internada após ser ferida por uma bala de borracha, nesta sexta-feira, quando chegava para a manifestação contra a reforma trabalhista e da Previdência, no Centro. Em um desabafo nas redes sociais, nesta segunda-feira, Lucia Santos contou que foi atingida no maxilar e levou 21 pontos no pescoço depois que policiais militares tentaram dispersar os manifestantes. links manifestação sexta-feira

De acordo com a bibliotecária, ela andava em direção à Cinelândia, quando, na Rua Evaristo da Veiga, viu a aproximação de policiais, que tentaram impedir o avanço dos manifestantes. Ela não viu quando foi acertada pelo disparo.

"Vi à esquerda veículos blindados da polícia, e do nada começaram a atacar, jogando bombas na direção do povo. Nem consegui chegar à praça. O pessoal começou a correr para todos os lados, e muitos que estavam também na Treze de Maio foram correndo de volta para o Largo da Carioca. Algumas pessoas disseram que não adiantava ir para lá pois a polícia estava vindo dessa direção também, então isso significava que estávamos encurralados. Nem corri, apenas fui recuando para me encostar num prédio, olhando para meu lado direito (a praça), de onde eu via os ataques mais fortes. Do meu lado esquerdo (a Carioca) eu não estava ouvindo bombas, então achei que a polícia ainda estaria mais longe, mas de repente senti um impacto muito forte no maxilar esquerdo. (Isso ocorreu 17:20h, apenas 15 minutos depois que saí do prédio do MP)", contou.

Segundo Lucia, no momento em que foi ferida, ela se sentiu "tonta e confusa", só então percebeu que sangrava. "Falei alto que estava ferida, várias pessoas vieram me acudir (somente civis, nenhum policial/bombeiro/guarda)", lembrou ela, afirmando que as pessoas pediam à polícia para "parar": "Gritaram para a polícia parar porque eu tinha sido atingida por bala de borracha (só nesse momento entendi o que era!). Uma pessoa me deu um lenço com a bandeira do Brasil para estancar o sangue, outra me deu meia garrafa d'água, outra fez um curativo improvisado, outro que se disse médico falou que eu tive sorte de não ter sido estilhaço".

A bibliotecária conta ainda que foi socorrida no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, onde também encontrou outros manifestantes feridos e acabou sendo operada.

"O ferimento da bala foi mais de impacto do que de extensão, mas com a cirurgia exploradora o corte ficou bem grande, levei 21 pontos no pescoço", conta ela, que teve alta no último domingo, mas ainda não consegue mastigar.

Em sua publicação, Lucia diz que ainda vai registrar a ocorrência e "buscar os desdobramentos legais".

A funcionária do MPF, que divulgou seu desabafo nesta segunda-feira, Dia do Trabalhador, ainda comentou: "Por coincidência, publico esse post no início da madrugada do dia 1º de maio, data que simboliza a luta dos trabalhadores. A luta continua!". Lucia comenta ainda a ação da polícia durante o ato: "Houve uma excessiva, violenta e descabida repressão policial no Rio de Janeiro".

Além de Lúcia, ao menos outras oito pessoas foram feridas durante os protestos no Centro do Rio. Entre eles está o homem atingido por uma bala de borracha no rosto. Ele corre o risco de perder a visão de um dos olhos.

POLÍCIA DIZ QUE AGIU CONTRA 'VÂNDALOS INFILTRADOS'

A Polícia Militar, em nota divulgada na ultima sexta-feira, afirmou que "agiu em vários distúrbios, reagindo à ação de vândalos que, infiltrados entre os legítimos manifestantes, promoveram atos de violência e baderna pelo centro da cidade."

Leia a nota na íntegra:

"Desde o início da manhã desta sexta-feira (28/04), a Polícia Militar está realizando um patrulhamento intensivo por todo o estado do Rio de Janeiro, trabalhando para garantir que as manifestações reivindicatórias fossem realizadas em segurança e não impedissem o ir e vir da população.

No centro do Rio, policiais do 5ºBPM (Harmonia), do Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos (BPGE), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) e o Grupamento Tático de Motociclistas (GTM) do BPChq, estão desde a manhã com as equipes na ALERJ e na Cinelândia.

A Corporação agiu em vários distúrbios, reagindo à ação de vândalos que, infiltrados entre os legítimos manifestantes, promoveram atos de violência e baderna pelo centro da cidade. Até o momento, há notícias de saques e depredação de lojas, estações do Metrô e do VLT, ônibus e carros apedrejados e incendiados. A Polícia Militar continua nas ruas, buscando neutralizar a ação de vândalos que se passam falsamente como manifestantes."


Globo Online | 01-Mai-2017 17:27

Universitário morto espancado em bar deixa filha de 2 anos

RIO - Bruno Mello Durange, de 28 anos, que foi morto espancado dentro de um bar em Vilar dos Teles, São João de Meriti, deixa uma filha de 2 anos. A Polícia Civil investiga o caso. Ele foi agredido com um taco de sinuca na cabeça, na noite da última sexta-feira e teve traumatismo craniano.

— O Bruno era de muita paz. Ele teria perdoado o agressor se tivesse sobrevivido. Ele deixou uma filha de 2 anos que cuidava bem, penteava o cabelo dela, fazia tudo pela menina. Era um jovem, estudante, normal, procurando emprego. E morreu num desententimento de bar — afirma a prima de Bruno, Vanessa Mello.

Segundo a polícia, o jovem estava no Floresta Bar com amigos e familiares, quando começou uma discussão. Bruno teria entrado em luta corporal com suspostos seguranças do estabelecimento e outros frequentadores. Um dos homens teria atingido o universitário com o taco de sinuca.

Ele foi levado para o PAM de São João de Meriti e transferido, em seguida, para o Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse), em estado grave. O jovem morreu na madrugada deste domingo.

A vítima estava no 2º período da faculdade de Administração. Ele estava desempregado depois de ter perdido, no começo de 2017, o emprego de assistente administrativo no Hospital municipal Miguel Couto, Leblon, Zona Sul do Rio.

Amigos e familiares do jovem homenagearam Bruno pelas redes sociais. Um dos irmãos do rapaz pediu perdão pelo tempo que não passou com ele e prometeu cuidar da menina que o rapaz deixa:

“A gente sempre cuidou um do outro, só que o tempo passou e eu fui viver uma vida covarde mais dentro de casa e deixei você no mundo sozinho, na última quarta nem dei muita ideia e você pedindo pra eu ver o jogo com você, deixei várias vezes de dizer que eu te amo... Só vacilei contigo brother, mas juro que enquanto houver vida em mim, sua morte não vai ficar impune, eles não sabem a merda que fizeram de ter tirado sua vida. Fica tranquilo que vou ajudar a cuidar da Nina irmão e te prometo que vou até o fim desse jogo que apenas começou. Eu te amo cara”

Em sua página no Facebook, o Floresta Bar diz que a briga foi entre dois frequentadores e classifica como boato a informação de que um dos proprietários esteja envolvido:

"Lamentavelmente, alguns usuários de redes sociais têm agido de forma falaciosa e irresponsável afirmando que o proprietário teria sido o agente causador das lesões em um dos clientes. Uma inverdade. Todas as medidas judiciais estão sendo tomadas em desfavor dos usuários de rede sociais que estão veiculando informações falsas e distorcidas. A família Floresta está a disposição da família da vítima deste trágico incidente para prestar todo o apoio necessário".

Os donos do bar denunciaram através de uma rede social que o imóvel teria sido alvo de uma tentativa de incêndio. Internautas acusam um dos sócios do estabelecimento de ter participado do crime. Ele nega o envolvimento e também afirma que os responsáveis pelo espancamento não eram seguranças da casa.

— Não podemos falar nada agora. Estamos indo ao advogado falar sobre o cliente que bateu no rapaz. Ele não era nosso segurança. Era cliente e estava bebendo como todos lá — afirmou um dos donos.

A família da vítima nega que tenha tido participação em qualquer tentativa de retaliação ao bar após a morte de Bruno.

— A gente quer justiça, mas quer deixar claro que não fez nenhum atentado contra o bar como ele estão falando — afirma Vanessa Mello, prima do jovem.


Globo Online | 01-Mai-2017 17:16

Moradores pedem a Crivella projeto de recuperação para jovens no Complexo do Alemão

RIO - Numa eleição provocada pelo prefeito Marcelo Crivella, moradores e representantes de associações do Complexo do Alemão elegeram a retomada dos projetos sociais voltados para jovens das comunidades locais que foram suspensos ao longo do tempo por causa da crise fianceira. Depois de ouvir mais de 20 oradores e suas reivindicações, o prefeito elencou três pedidos como prioritários para fazer a eleição. Ele disse que por falta de recursos só poderia atender a um pleito. links alemão

- A gente precisa fazer uma coisa de cada vez, um passo de cada vez. O Eduardo (Paes) deixou a prefeitura quebrada. Gastou-se R$ 40 bilhões por causa da Olimpíada e nós estamos sem dinheiro. E nós temos que verficar o que é mais importante.

Os outros dois projetos são reformar todas as áreas de lazer do Complexo do Alemão, entre elas praças, a Vila Olímpica e tornar todas as escolas muniicpais do Alemão em horário integral.

Cerca de 150 pessoas participaram na manhã desta segunda-feira de um encontro com o prefeito Marcelo Crivella na Vila Olímpica Carlos Castilho, no Complexo do Alemão. Moradores, líderes de movimentos sociais, presidentes de associações de moradores expuseram reivindicações sobre melhoria das condições de vida das comunidades. Presidentes de 24 associações de moradores do alemão e da Penha participar do encontro, eles Marcos Valério Alves, representante da Associação dos moradores da Nova Brasília e Palmeiras.

Convidado a compor a mesa, Crivella iniciou sua fala pedindo um minuto de silêncio em respeito a família do jovem Felipe Farias Gomes, de 16 anos, ocorrida na última quarta-feira, quando ele foi atingido por um tiro de fuzil na testa, na avenida Itaoca no momento em que seguia para casa.

Depois, Crivella estabeleceu uma ordem para que os moradores fizessem suas reivindicações. Ele deu três minutos para cada um expor suas demandas. Quando Mariluce Mariá, presidente do Educap (Espaço Democrático de União Convivência, Aprendizagem e Prevenção) se alongou em sua fala, o prefeito lembrou que só tinha dinheiro para um projeto.

- O Eduardo Paes deixou uma dívida de 40 bilhões na prefeitura. Nós não temos dinheiro pra isso tudo - justificou.



Globo Online | 01-Mai-2017 16:48

Universitário morre após ser atingido por taco de sinuca

RIO - A Polícia Civil investiga a morte de um universitário de 29 anos, neste domingo, após ser agredido com um taco de sinuca na cabeça, na noite da última sexta-feira, num bar em Vilar dos Teles, São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Bruno Mello Durange teve traumatismo craniano. Ele teria sido atingido por seguranças do local.

Segundo a polícia, o homem estava no Floresta Bar com amigos e familiares, quando começou uma discussão. Bruno teria entrado em luta corporal com possíveis seguranças do estabelecimento e outros frequentadores. Um dos homens teria atingido o universitário com o taco de sinuca.

Ele foi levado para o PAM de São João de Meriti e transferido, em seguida, para o Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse), em estado grave. O jovem morreu na madrugada deste domingo.

O corpo de Bruno será enterrado na tarde desta segunda-feira, no Cemitério da Vila Rosali, em São João de Meriti.


Globo Online | 01-Mai-2017 15:07

A cada uma hora, uma pessoa tem os seus pertences levados quando dirigia ou do carro estacionado

RIO - A estudante Maria Luisa Guarisa estacionou o carro na Estrada do Pontal, no Recreio, Zona Oeste do Rio. Quando voltou, encontrou a mala aberta e o estepe havia sido levado. O caso é mais um típico furto no interior do veículo — quando o carro não é levado — que acontece no Rio. Só no ano passado, a cada uma hora, uma pessoa teve os pertences levados enquanto dirigia ou quando o carro estava estacionado. O Instituto de Segurança Pública registrou, em 2016, 12.185 casos do tipo. Desses, 60% aconteceram só na capital, como é o caso da estudante de 22 anos. links violência

— Parei o carro na rua, como sempre faço, só que desta vez, quando voltei, tinham aberto e revirado a meu porta-malas e levado o estepe. Só me toquei disso na hora que cheguei em casa, quando tive tempo para olhar com mais calma.

De acordo com os dados do ISP, aos quais o EXTRA teve acesso com exclusividade por meio da Lei de Acesso à Informação, a Barra da Tijuca, também na Zona Oeste, é o bairro que concentra o maior número de furtos no interior do veículo. Em 2016, foram ao todo 283, o que corresponde à 6,62% de todos que aconteceram na cidade. Em média, 6 carros foram furtados a cada semana. O mês que registrou o maior número de furtos foi agosto, com 43 casos. Já em relação a roubos, ou seja, quando há ameaça ou agressão, o segundo da cidade com o maior número de registros: 145. O aposentado Renaldo Santoro, de 52 anos, foi uma das vítimas desse crime. Ele teve o celular roubado enquanto estava parado em um sinal da Avenida Embaixador Abelardo Bueno, em abril deste ano.

— Estava eu e meu irmão no carro quando, ao pararmos no sinal vermelho, vimos três bandidos roubarem o carro na nossa frente. Um deles veio com a arma apontada em nossa direção, e nos ameaçou para levar o nosso celular. Isso aconteceu em frente à estação do BRT Centro Metropolitano, por volta das 19h.

O delegado titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), Marcus Vinicius Braga, disse que crimes assim acontecem na região, principalmente, devido ao grande fluxo de veículos que passam pelo bairro. Outro fator que facilita os furtos e roubos são os engarrafamentos, bem recorrentes na Barra. O importante a ser feito nessas situações, segundo o delegado, é registrar o ocorrido na delegacia.

— Quando se faz o registro de ocorrência, você avisa ao policial que um crime aconteceu naquele ponto. Isso ajuda a criar um plano para que possamos evitar que o roubo ou furto se repita — explica. — E não precisa nem ir mais a delegacia para fazer o boletim, dá para fazer no próprio site da Polícia Civil.

Em relação a roubos dentro de veículos, o bairro que mais se sobressai é o Centro do Rio. Só em 2016, foram 191 — 15 a cada mês. O delegado titular da 5ª DP (Centro), Marcus Henrique de Oliveira Alves, explicou o motivo para que os índices na região central da cidade sejam altos. O bairro é também o terceiro com mais registros de furtos.

— Mais 1 milhão e meio de pessoas passam diariamente pelo Centro. Aqui também é o coração financeiro da cidade, onde há o maior número de escritórios, de bancos, de lotéricas... São fatores que propiciam o aumento de roubos e furtos, não só dentro dos carros, como a pedestres, dentre de coletivos etc.

O QUE FAZER PARA SE PROTEGER

- Se for vítima de algum desses crimes — ou de qualquer outro —, notificar a polícia e fazer boletim de ocorrência. Mesmo que não recupere o que foi levado, ao menos a polícia saberá onde acontece a maior incidência dessas casos e poderá atuar de uma melhor forma.

- Não facilite a visão do assaltante e tome cuidado com os pertences. Deixar a bolsa no banco do carona ou o celular à vista, por exemplo, facilitam a ação do ladrão.

- Não deixe objetos de valor no carro estacionado. Quando não for possível, guarde-os no porta-malas.

- Andar com o vidro aberto facilita os furtos — principalmente se estiver falando ao telefone ou com o braço apoiado na janela.

- Prefira estacionar em locais onde há guardadores oficiais da prefeitura ou em estacionamentos.

- Engarrafamentos são propícios para os furtos e roubos no interior de veículo, tente evitá-los — embora seja quase impossível no Rio.

ROUBO DE CARROS AUMENTA EM TODO O ESTADO

O número de roubos no interior de veículos aumentou 65,1% no Estado do Rio, de 2015 para 2016. Na capital, o aumento é maior, sendo um crescimento de 67,5%. Já em relação aos furtos, o fenômeno é oposto. Tanto na capital quanto no estado, o número caiu. Foram 23,1 de registros de furto a menos no ano passado em relação a 2015. O motivo é que, para um ladrão furtar alguém, é preciso que haja uma oportunidade, a vítima precisa estar distraída ou vulnerável. O caso do roubo, ou seja, quando há agressão ou ameaça, o cenário é outro. O criminoso, quando está armado ou possa fazer usa da violência, cria a oportunidade para que o assalto ocorra.


Globo Online | 01-Mai-2017 14:46

Carro da PM é alvejado por bandidos na Gamboa

RIO - Uma viatura da PM foi alvejada por bandidos na noite deste domingo, na Gamboa, Zona Portuária do Rio. Segundo o 5° BPM, ninguém ficou ferido.

De acordo com a polícia, dois agentes faziam patrulhamento de rotina em uma viatura na Rua Camerino quando, ao passar em frente ao número 22, foram alvejados por bandidos que estavam em um beco do local, por volta das 22h. Os policiais revidaram e houve troca de tiros. Alguns disparos acertaram o carro em que estavam os policiais, mas nenhum dos agentes se feriu no tiroteio. Os bandidos fugiram.


Globo Online | 01-Mai-2017 12:54

Financiamento coletivo viabiliza musical com clássicos do cantor Frank Sinatra

RIO — Resultado de uma campanha criada em uma plataforma de financiamento coletivo, o espetáculo “Simplesmente Sinatra”, que recria ao vivo os maiores sucessos de Frank Sinatra, será apresentado nesta terça-feira no Teatro Nathalia Timberg, no Freeway Center, na Barra. À frente da produção, interpretando clássicos como “Fly me to the moon” e “New York, New York”, está o ator e cantor Raul Veiga.

— Ao todo são 20 músicas, todas cantadas no gogó. Tenho certeza de que quem for nos ver vai ficar arrepiado, porque é um repertório riquíssimo. Vamos oferecer um espetáculo com uma qualidade técnica muito boa — garante o ator, cujo timbre é considerado semelhante ao do cantor e ator americano.

Um dos destaques do espetáculo será o trabalho dos 18 músicos da Orquestra Bianchini, regida pelo maestro Roberto Bianchini.

— Vamos tocar tudo ao vivo, com os arranjos originais. A formação da banda é a mesma que o Sinatra costumava utilizar nas apresentações. Tudo para ficar o mais fiel possível — diz o maestro.

Neto de Billy Blanco, um dos compositores precursores da bossa nova, o ator e cantor Pedro Sol Blanco vai interpretar Tom Jobim.

— No auge da bossa nova, Sinatra criou um laço afetivo com o povo brasileiro, e fez parcerias musicais com Tom Jobim. Vamos cantar juntos quatro destes sucessos, entre eles “Corcovado” (“Quiet nights”) — adianta o ator, ressaltando que sua avó foi a fundadora de um dos primeiros fãs-clubes de Sinatra no país.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)


Globo Online | 01-Mai-2017 09:30

Pau Ferro Futebol Clube aposta em comércio diversificado em sua sede, no Pechincha

RIO — Fundado em 1940, o Pau Ferro Futebol Clube continua sendo um dos mais tradicionais equipamentos esportivos da região. Sua sede, localizada ao lado do 18º Batalhão da Polícia Militar, no Pechincha, fica num trecho movimentado do bairro. No entanto, boa parte das pessoas que passam por ali não conhece a área interna do clube, tampouco imagina o que o espaço tem a oferecer à vizinhança. Desde o início do ano, o clube — campeão da Copa Verão 2017 da Liga de Futebol Society do Rio — vem renovando e diversificando as atividades (sem deixar de lado, é claro, o futebol) para financiar suas operações. Entre os novos serviços estão barbearia, salão de beleza, clínica de estética e escola de dança, além de uma filial da escola de lutas marciais Infight.

Os três campos soçaite do Pau Ferro se preparam para receber futuros craques da bola, que treinarão na nova unidade da escolinha de futebol do Flamengo, em funcionamento desde o início de abril no clube do Pechincha. Outras duas escolas credenciadas pelo time rubro-negro funcionam na região, uma na Estrada do Pau Ferro, na descida da Serra, outra na Taquara. As aulas são destinadas a crianças e adolescentes de 5 a 16 anos.

Com nome em sintonia com a origem do clube, a barbearia Show de Bola foi inaugurada no mês passado. Lá, o cliente recebe o tratamento típico das chamadas barbers shop, onde, além de fazer procedimentos estéticos, pode comprar artigos esportivos enquanto bebe uma cervejinha gelada. O estabelecimento não se restringe aos associados do clube, no entanto, de acordo com Cristiane Diogo, proprietária do comércio, facilita a vida de quem joga pelada no local:

— Os campos do clube têm um movimento intenso durante toda a semana. Os frequentadores jogam futebol, tomam banho e depois passam aqui para arrumar o visual.

Quem visita a sede do Pau Ferro também encontra uma clínica de estética facial e corporal, com serviços como drenagem linfática, manthus (ultrassom que quebra nódulos de celulite), massagens modeladoras, tratamentos de radiofrequência e podologia. Segundo a esteticista Rosana Costa, os preços cobrados no local estão abaixo da média do mercado.

— Fazemos isso para atrair a atenção do público do entorno que não conhece essas opções aqui dentro do Pau Ferro. Cobramos R$ 60 pelo serviço de podologia. A limpeza de pele, com peeling de diamante, sai por R$ 50. Dez sessões de manthos custam R$ 250. Aí fora cobram R$ 700 pelo pacote — compara Rosana, acrescentando ainda na lista de serviços as terapias alternativas, com florais e cristais.

Ao lado da sala da esteticista funciona o Cantinho da Beleza, salão de cabeleireiro e manicure pronto para receber quem precisa fazer cabelo, pé e mão.

E quando o assunto é esporte, nem só de futebol vivem os frequentadores do Pau Ferro. A escola de lutas marciais Infight tem uma filial numa das salas alugadas no segundo andar. O professor Egidio Filho é o responsável pelas aulas de jiu-jítsu, judô e muay thai, destinadas a adultos e crianças. Segundo ele, a escola destina 20% das vagas a jovens de comunidades carentes da região.

— Os interessados nas vagas para bolsistas devem comprovar a renda e assumir o compromisso de não faltar às aulas — avisa o professor.

A dança também tem espaço reservado no clube. O Centro de Dança Ana Tiengo, em funcionamento desde o fim do ano passado, segue com inscrições abertas para modalidades como jazz, sapateado e balé clássico. Quem deseja movimentar o corpo ao som de Zumba ou apenas busca por aulas de alongamento também encontra turmas disponíveis.

— Oferecemos aulas com preços mais em conta. A mensalidade do balé, que costuma ser aproximadamente R$ 300, pode ser encontrada aqui por R$ 100, sem taxa de matrícula. Queremos atrair o público para cá — enfatiza Ana Tiengo.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)


Globo Online | 01-Mai-2017 09:30

Artista luta para fazer seus livros e músicas chegarem ao grande público

RIO — Definitivamente, Norberto Faion é um homem das artes. Aos 73 anos, atuou em teatro, cinema, música e literatura. Difícil para ele é decidir o que mais lhe agradou. Com a sabedoria e a segurança que a idade lhe permite, ele admite que, mesmo com tantos anos de experiência, não conseguiu fazer com que seu nome fosse reconhecido. No entanto, o artista não se deixa abater e luta para lançar, de forma independente, dois livros e mais de 20 canções, que ele sonha ver sendo apreciados pelo grande público.

— Corro atrás para que as pessoas tenham acesso aos meus trabalhos. Estou aplicando minhas economias nisso — diz Faion.

Morador do Pechincha, o artista conta que tentou vender os direitos de seu livro “Contos de um ser qualquer”, mas não foi bem-sucedido. Mesmo assim, não desistiu. Pagou do próprio bolso a impressão de 250 cópias e agora decide se vai vendê-las ou distribuí-las gratuitamente. Os direitos da publicação, que tem 30 contos, continuam sendo negociados com outras editoras.

— Eles falam sobre temas abrangentes: amor, morte e até paranormalidade. Uns são autobiográficos. E tem um que se chama “Festa junina”. A história se passa no dia de São João, numa festa caipira. No final, quase todos os presentes se dão mal ou morrem. Fala sobre a tensão negativa entre os personagens, mas é maravilhoso — garante o autor, que atualmente está escrevendo um livro de poesia.

Inspiração para novas histórias é o que não falta. Faion começou a se interessar pelas artes ainda criança, em São Paulo, sua cidade natal:

— Minha mãe era bilheteira de cinema. Nas férias, eu ia para o trabalho dela e assistia a todos os filmes na sala de projeção. Até os filmes para adultos, aqueles mais ousados.

Aos 19 anos, a caminho da sede da Guarda Civil, onde pretendia começar a trabalhar, um encontro mudou a vida de Faion.

— Encontrei um amigo que me convidou para tapar buraco de figurante no programa do Moacyr Franco, na antiga TV Excelsior. Fui e ainda ganhei uma fala em uma das cenas. Depois dessa experiência, quis investir na área — conta.

Sem sequer terminar o antigo segundo grau (hoje ensino médio), Faion passou a escrever roteiros.

— Nessa época, os textos das peças passavam pela minha mão nos bastidores. Tirava uma cópia para poder ter noção de como se fazia. Aí, deu vontade de começar a escrever as minhas próprias peças — conta ele, que chegou a produzir seis roteiros.

Não demorou para migrar para o cinema, escrevendo e atuando em filmes de pornochanchada:

— Aquilo queimava muito o filme da gente, mas eu precisava trabalhar. Logo depois me mudei para o Rio, onde fiz figurações em novelas.

Mesmo há tanto tempo afastado dos holofotes, Faion continua a se expressar através da arte. Ele tem 22 músicas (MPB, samba e baladas românticas) finalizadas em estúdio — algumas disponibilizadas em seu canal no YouTube). Atualmente, trabalha em outras três canções.

— A idade é implacável, mas ainda consigo expressar meus sentimentos por meio do meu trabalho. Nada me deixa mais feliz do que pegar minha poesia e colocar uma melodia em cima dela.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)


Globo Online | 01-Mai-2017 09:30

Ateliê de costura na Taquara garante confecção e entrega de vestidos de noivas em menos de 30 dias

RIO — A escolha do vestido da noiva, na maioria dos casos, faz parte de um ritual que inclui incontáveis visitas a lojas ou ateliês de costura. Todo cuidado não é à toa. Durante a cerimônia, todos os olhares estarão voltados para ele; e a peça, para muitas noivas, fica como uma lembrança de um dos dias mais importantes de sua vida. E o que fazer quando ocorre um imprevisto com o vestido às vésperas do casamento? Como conseguir um outro modelo em menos de um mês? Um ateliê na Taquara garante a confecção de uma peça nova em folha, do jeito que a noiva pedir, em menos de 30 dias. O compromisso ousado é firmado pela costureira Elis Sinis, proprietária do Atelier Elis Noivas.

— Recebo noivas desesperadas em busca de uma solução rápida. Tem noiva que encomenda vestido da China e se decepciona quando a encomenda chega. Às vezes, nem chega. Tem aquelas que aceitam vestidos usados por parentes, mas quando experimentam não é aquilo com que sonharam — conta a costureira, ressaltando, porém, que o número de clientes “desesperadas” por um vestido em tempo recorde é minoria, em torno de quatro por mês.

Com pouco mais de dois meses para a data do casamento (realizado no último dia 21), a médica Marielly Rabelo ainda não havia conseguido encontrar o vestido dos seus sonhos. Com a data da cerimônia se aproximando, a ideia foi recorrer ao ateliê.

— Queria alugar um vestido usado que vi na rede social do ateliê, mas a noiva acabou comprando o vestido. A solução foi pedir uma réplica, mas tinha que ser feito rápido porque a data estava se aproximando. Pedi umas modificações para ficar do meu gosto, e ficou maravilhoso — diz a médica.

A indecisão também rondou a estudante Ramara Vitória até dois meses antes do seu casamento, no último dia 12.

— Durante cinco meses, experimentei mais de 50 vestidos, e nada me agradou. Ninguém mais queria pegar meu vestido para fazer, exigiam cinco meses de antecedência. Cheguei aqui (no Atelier Elis Noivas) faltando dois meses para eu me casar e disse: “Preciso de um vestido”. Expliquei como queria, e eles começaram do zero — lembra Ramara.

Apesar de trabalhar contra o relógio, Elis — que tem outras 11 costureiras em seu time — garante um resultado esmerado em todos os modelos, independentemente do tempo gasto na confecções.

— Faço um atendimento personalizado. Preciso entrar no mundo daquela noiva, pois o vestido retrata a personalidade dela. Mesmo nas peças feitas em menos de 30 dias, crio algo que se identifique com quem vai usá-lo. Estou lidando com o sonho de criança de muitas delas — diz Elis, que também trabalha com a produção rápida de vestidos de debutantes.

Na primeira locação, o preço de um vestido, feito sob medida, fica entre R$ 3.500 e R$ 6 mil. Se a noiva quiser ficar com a peça, o ateliê cobra uma taxa de 40% sobre o valor. Já os preços dos vestidos de segunda locação ficam entre R$ 1.800 e R$ 2.500.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)


Globo Online | 01-Mai-2017 09:30

Unidade dos Correios no Pechincha sofre com a ação de bandidos

RIO — Um grande assalto na madrugada do último dia 3 evidenciou a falta de segurança do Centro de Entrega de Encomendas (CEE) dos Correios em Jacarepaguá, no Pechincha. Bandidos armados arrombaram o portão e, com o auxílio de um caminhão, levaram todas as encomendas do local, que atende à região de Jacarepaguá, além das Vargens e de São Conrado, Barra da Tijuca, Cidade de Deus, Itanhangá e Recreio. No entanto, alertam os funcionários, o episódio de violência não foi o único envolvendo a unidade ou o pessoal que trabalha ali.

Entre os 89 empregados lotados no CEE, há quem colecione mais de 25 assaltos, sem que veja investimentos da empresa na segurança. Na ocasião do grande assalto, o local completava cerca de três meses sem vigilância. À espera do resultado de licitação, a empresa não colocou funcionário algum para monitorar o local. Agora, existe apenas um agente por turno na função. As câmeras de segurança não funcionam há meses, e não há previsão para que voltem a operar, denuncia o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares do Rio (Sintect-RJ).

— A empresa tem apenas 12 equipes de escolta para todo o estado. É insuficiente — avalia Ronaldo Martins, presidente do sindicato. — Venceu o contrato (das câmeras de segurança) e ficou por isso mesmo. Temos um problema sério, porque o crime ocorre e não há como investigar.

O valor do prejuízo e o número de itens levados não são divulgados pela empresa, que alega que “por ser assunto relativo à segurança, os Correios não divulgam detalhes, dados estatísticos, nem valores”. Mas o Sintect-RJ calcula que até dez mil itens podem ter sido levados pelos criminosos.

— Virou fato corriqueiro. O trabalhador sai com as encomendas e todo dia sofre com assaltos e sequestros. A empresa sequer presta assistência ao funcionário; ele tem que tem ir sozinho à Polícia Federal, onde seu depoimento é colhido com descrédito. Quando ele recebe licença médica para se recuperar do trauma, os Correios indeferem e o mandam trabalhar — conta Martins. — A empresa tem que pagar indenização pelo desvio das encomendas. Então, perde mais dinheiro com isso do que perderia investindo em segurança e pessoal.

Um funcionário que preferiu não se identificar conta ter sofrido 28 assaltos. Outro lembra situação em que um colega acabou até sem as roupas. Sobre o plano de segurança, em nota, os Correios afirmaram manter Acordo de Cooperação Técnica firmado com a Polícia Federal que “estabelece a parceria das instituições nas áreas de informações, inteligência e tecnologia, para a repressão de ilícitos contra a estatal”. Citam ainda uma parceria com as polícias Militar e Civil em ações específicas. “A empresa também adota diversas medidas de segurança, como o uso de escolta armada, gerenciamento de riscos e o rastreamento de veículos e de cargas”.

Em março, o CEE Jacarepaguá entregou mais de cem mil encomendas.


Globo Online | 01-Mai-2017 09:30

Grifes fecham bons negócios na terceira edição do Veste Rio

RIO — Para os estilistas e os empresários que circularam pelo Píer Mauá, entre quarta-feira e ontem, a moda foi mesmo fazer negócios, como sugere o slogan do Veste Rio, o evento de moda realizado em parceria pelo caderno ELA e a revista “Vogue”. Os dias foram movimentados tanto no Salão de Negócios, onde o foco era o lojista em busca de novidades para a primavera/verão 2017/2018, quanto no Outlet, que tinha como alvo o cliente final. Nomes importantes da moda brasileira, como Lenny Niemeyer, Glorinha Paranaguá, Sharon Azulay, da BlueMan, Jacqueline de Biase, da Salinas, e Mary Zaide afirmam que o balanço final do evento não poderia ser melhor. A mudança de local, da Marina da Glória para o Píer Mauá, para melhor acomodar um número ainda maior de marcas, também foi elogiada pelos estilistas.

Presente desde a primeira edição do Veste Rio, Lenny Niemeyer, com estandes no Salão de Negócios e no Outlet, é uma das mais animadas. Para ela, a troca de locação foi “maravilhosa” e “revigorou a moda”.

— O espaço foi muito bem montado. Os compradores das lojas multimarcas, que nos procuraram no Salão, aprovaram ter as grifes todas num só lugar, o que proporcionou mais segurança. Com certeza estarei de volta na próxima temporada — diz Lenny.

Sharon Azulay conta que a BlueMan cresceu 30% em relação ao verão 2016/2017. A marca também abriu novas praças no Sul, no Nordeste e no Centro-Oeste.

— O Rio merecia algo assim. Foi ótimo, ficamos muito felizes com o resultado. A maioria dos nossos clientes fez pedidos maiores. Pretendemos estar na edição que vem — afirma.

Jacqueline de Biase, da Salinas, comemora a sua primeira participação no Salão de Negócios. A grife de beachwear conseguiu novos clientes de atacado e esteve perto de antigos.

— Novos negócios de multimarcas estão sempre surgindo e enxergamos que o evento é o espaço perfeito para esses encontros. Abrimos 30 novos clientes. Recebemos a visita de buyers dos Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Paraguai, Chile, Japão, Portugal e Espanha. O Veste Rio tem curadoria de organizadores de peso, que inspiram a confiança dos compradores — elogia Jacqueline, que quer levar a Salinas para o Outlet na próxima edição do evento.

Mas os resultados não foram positivos apenas para o trio da moda praia carioca. Glorinha Paranaguá conquistou novos pontos de vendas para os seus acessórios, assim como Mary Zaide, que fechou negócio com lojistas de Palmas e de Roraima.

— Tivemos um crescimento de 30% — festeja Mary. — Os compradores foram bem escolhidos, era um mix de qualidade. O número, diante desse cenário econômico que vivemos, superou as minhas expectativas. Já vou confirmar presença para o próximo. Acredito em quem investe na cidade.

Outlet recebeu mais de 25 mil pessoas

O Outlet, em que as marcas davam descontos de até 80% em coleções passadas, foi novamente um sucesso, com um movimento cerca de 50% maior do que na edição passada. Mais de 25 mil pessoas passaram pelo espaço entre quinta-feira e ontem. Grifes como Osklen, Farm e Vix tinham longas filas na porta. A FYI, por exemplo, superou a meta pensada para o evento em 162%, segundo Luis Gasparini, diretor de marketing da etiqueta.

As dez marcas que participam da plataforma de novos talentos do Veste Rio e que são apoiadas pelo evento, com um desfile e espaço no Salão de Negócios, também fizeram bons negócios. Patrick Doering, que comanda a The Paradise com Thomaz Azulay, acredita que o desfile, na quarta, ajudou a chamar a atenção das multimarcas.

— O Veste Rio entrou para o calendário dos compradores. A The Paradise abriu oito praças novas. As pessoas estão investindo na nossa evolução — afirma Patrick Doering.

Raquel Alvarez, da Wymann, marca estreante na plataforma, também comemora o crescimento nas vendas:

— Aumentei minhas vendas em 600%, se compararmos com a minha última coleção.

A organização do evento compartilha o otimismo das marcas presentes na terceira edição do Veste Rio.

— O evento cresceu 40% em área, saindo da Marina da Glória e indo para o Píer, que se mostrou uma ótima alternativa em função da facilidade de acesso. Com um número maior de marcas no Salão de Negócios e uma lista mais qualificada de compradores, as vendas cresceram em relação às edições anteriores. Para completar o cenário favorável, o público presente no Outlet também foi o maior das três edições, comprovando a vocação do Veste Rio: a moda aqui é fazer negócio — comenta Sérgio Abdon, gerente de projetos especiais da Infoglobo.

O Veste Rio é apresentado pelo Sistema Fecomércio RJ, por meio do Sesc e Senac, com patrocínio do Sistema FIRJAN, Banco do Brasil, Sebrae, companhia aérea oficial Azul, Shopping Oficial Rio Sul, apoio da Fashion Label Brasil, Abest, Texbrasil, Abit e Apex-Brasil. O evento é uma realização da do caderno Ela e da revista “Vogue” Brasil.


Globo Online | 01-Mai-2017 09:30

Morador da Freguesia escreve em três dias livro com 31 princípios para atingir automotivação e objetivos

RIO — Três dias foi o tempo que Thiago Duarteh levou para escrever, à mão, o seu primeiro livro, intitulado “31 princípios revelados”. Na publicação, lançada no início do ano, o autor lista itens que, segundo ele, quando adotados de forma correta no cotidiano, propiciam a motivação necessária para vencer os obstáculos da vida. Morador da Freguesia, Duarteh explica, ao longo das 64 páginas, como lidar com medos e erros e também fala da importância de estabelecer metas, do poder do pensamento positivo e da necessidade do agradecimento.

— O livro é para acabar com a desmotivação e fazer com que o leitor consiga alcançar seus objetivos — explica o autor, que se inspirou nos próprios erros e acertos para escrever o livro.

Duarteh lembra que teve uma infância pobre, vivida perto do Complexo do Chapadão, na Zona Norte. Anos depois, viu as coisas melhorarem. Aos 19 anos, vendia bolsas femininas, trabalho que lhe rendia até R$ 30 mil por semana. Não tardou, no entanto, para que os problemas aparecessem:

— Eu me perdi nessa época. Minha vida se resumia a ouro, mulher, camarote e R$ 10 mil em noitada. Fiquei deslumbrado e não soube aproveitar o momento. Perdi tudo, tive Síndrome do Pânico e depressão.

Os problemas enfrentados por ele no período culminaram numa reflexão que, mais tarde, virariam seus 31 princípios.

— Estudei como surgem os pensamentos, as emoções e o sentimento. Eu me fortaleci e vi que estava apto a falar sobre essas questões. Descobri que é bom sentir medo, por exemplo, mas ele tem que ser um combustível, não um paralisador. Todos os princípios do livro vieram da minha vivência. Fui minha própria cobaia — diz o autor, ressaltando que o livro é indicado a pessoas de todas as idades e classes sociais. — É para quem passa por um momento difícil, para quem sente uma carência emocional, falta de ambição e impulso para agir. E também para quem tem tudo isso, mas precisa aprimorar.

A publicação pode ser comprada nas livrarias Leitura ou no site livro31principiosrevelados.com.br.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)


Globo Online | 01-Mai-2017 09:30

Bares, restaurantes e hostels em favelas amargam prejuízos com a crise da segurança

RIO — O cheirinho de frango e de costela no bafo desce a ladeira do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. O caminho até o Bar do Tino, restaurante que fica numa das casas mais altas da favela, é por uma trilha de cerca de dez minutos, no meio da mata. A travessia é feita com água na boca. Até o ano passado, a simpática família do paraibano Severino Alves, que chegou ao morro em 1968, surfava no sucesso da sua gastronomia, que virou assunto de reportagens, foi parar em capa de revista, ganhou prêmio e passou a atrair renomados chefs da cidade. A casa foi aberta antes da instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) dos Prazeres, em 2011, apostando no sucesso do projeto — o reconhecimento do asfalto veio a partir de 2013. A paz no morro levou até o ex-secretário de Segurança José Mariano Beltrame a subir a ladeira para degustar as especialidades da casa, servidas numa laje com vista para o Cristo, a Enseada de Botafogo, a Ponte Rio-Niterói e a Zona Portuária. links violências favelas

Polícia prende chefe do tráfico no Morro da Babilônia

À medida que o projeto de pacificação foi perdendo fôlego, o apetite dos clientes foi diminuindo. Principalmente em razão de episódios de violência. O Bar do Tino já não era mais tão atrativo. O golpe mais forte foi em dezembro do ano passado, quando um turista italiano morreu baleado ao entrar de motocicleta, por engano, na favela, na volta de uma visita ao Cristo, na companhia de um primo. O restaurante perdeu, de cara, quatro reservas de grupos. E o réveillon na laje, que já estava praticamente fechado, acabou não acontecendo. O movimento no local já caiu mais de 40%, conta Leandro Santana, um dos três filhos de seu Tino e o responsável pelo tempero — cujo segredo ele não revela — que faz do frango do alto dos Prazeres único na cidade. Lá, um serviço farto para quatro pessoas sai por cerca de R$ 60. Ele atribui as perdas ao medo dos fregueses e à crise econômica, ingredientes que têm feito muito empreendedor de favelas do Rio amargar prejuízos.

— Hoje, penso em abrir filiais em outros estados e levar nosso frango para o asfalto, já que muita gente está com medo de vir à comunidade — conta Leandro.

Ele tem o cuidado de só levar a clientela lá em cima — que sobe acompanhada por um guia do restaurante — quando o clima é realmente de tranquilidade. As delícias servidas ali valem o esforço da subidinha, que não passa pela rua principal dos Prazeres. Para garantir a total segurança do público do Bar do Tino, um dos irmãos oferece transporte na ida e na volta para os que querem beber sem se preocupar com direção.

A Casa Mosquito é um hotel boutique aberto pelo casal de franceses Benjamin Cano e Louis Planès na Ladeira Saint Roman logo após as forças de segurança tomarem os morros do Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo, em 2009. Decorado com peças de design, o hotel de dez suítes, no acesso ao Cantagalo, sempre teve como um de seus maiores atrativos a paisagem do mar e da favela. No ano passado, o endereço viveu seu auge, embalado pelos Jogos Olímpicos. No entanto, a taxa de ocupação que, em média, ficava entre 80% e 90% em 2016, caiu abruptamente para entre 30% e 40% este ano. Para atrair hóspedes, está sendo oferecido desconto de 40% na diária, que vai de R$ 890 a R$ 1.400.

TAXA DE OCUPAÇÃO CAI EM HOTEL NO CANTAGALO

Há pouco mais de um mês, policiais da UPP do Pavão-Pavãozinho trocaram tiros com traficantes e ficaram encurralados. Homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram chamados, e o confronto foi intenso. O pânico na região era relatado nas redes sociais. São episódios como esse, mesmo distantes da Casa Mosquito, que têm afugentado os turistas.

— Outro dia uma menina de Minas queria comemorar o aniversário aqui, com festa para 150 pessoas, mas desistiu porque estava com medo — comenta a diretora do hotel, Aurimar dos Prazeres, em tom de revolta com a atual situação do Rio. — O que salva são os eventos. Em março, tivemos um coquetel da Galeries Lafayette (de Paris), com a Luiza Brunet e socialites.

O Morro do Pinto já foi um recanto pacato perto do burburinho do Centro. Mas, no último ano, chegaram traficantes armados. No alto, está o Bar do Omar, que nasceu como birosca e virou point, com cerveja gelada, petiscos cheios de sabor e laje para a Zona Portuária. Omar Monteiro, o anfitrião, vem intensificando os sambas para compensar a redução da clientela, que caiu mais da metade. Ele também está no concurso Comida di Buteco com seu Brasileirinho, feito de carne de peito assada, batatas-doces coradas, jiló cozido e farofa de linhaça torrada na manteiga. No Morro do Pinto, o que se diz é que os traficantes “não mexem com ninguém”.

Já Omar diz que o lugar ainda é sossegado:

— Todo mês temos dois sambas, um no segundo sábado e um no ultimo domingo. Nunca deu problema.

Quem também tenta chamar freguês é David Bispo, do badalado Bar do David, no Morro Chapéu Mangueira. No ano passado, ele foi vencedor do Comida di Buteco no Rio e na versão nacional do concurso. Este ano, tenta se manter no pódio, mesmo com uma redução de 50% no movimento nas últimas semanas. Divertidíssimo, David mantém o otimismo lá em cima. No almoço da última quarta-feira, atendia com um sorrisão (“nasci para sorrir”) turistas estrangeiros.

— Aquí é peligroso? — perguntava uma colombiana, que chegou por indicação do TripAdvisor.

De dezembro para cá, os tiroteios voltaram. Em abril, um homem foi encontrado ferido de raspão no peito, no Chapéu Mangueira. Como já mostrou O GLOBO, estudo da PM revela que os confrontos em áreas com UPP aumentaram 13.746% em cinco anos. Se em 2011 foram 13, o total em 2016 foi de 1.555. Ontem, houve tiroteio na vizinha Babilônia, e a polícia prendeu o chefe do tráfico do local, Andre Luiz dos Santos, o André GG. No sábado à noite, em outro ponto da cidade, foi morto o 62º policial este ano, o PM Albert Souza Ferreira, atacado a tiros por bandidos em um bar de Irajá.

— Assalto e arrastão não acontecem na favela — defende David, enquanto serve a criação da vez para o Comida di Buteco: um bolinho de massa feito com milho e queijo e recheado com carne-seca. — O público diminuiu, e essa é uma realidade do Rio não só pela crise de segurança, mas também financeira. Não é problema da favela, mas da cidade. Caixas eletrônicos estão sendo estourados em Ipanema. O momento é muito difícil.

Para o comerciante, que abriu o bar em 2010, na esteira da instalação da UPP, a presença policial significava o fim do confronto. Não é mais bem assim. De 2015 para 2016, David investiu R$ 350 mil no negócio, na compra do imóvel e em reformas.

Na vizinha Babilônia, o dono de um hostel de decoração transada e muito procurado por estrangeiros esperava, há um ano, um quadro completamente diferente:

— O turismo caiu depois da Olimpíada. Era para ser o contrário — diz Eduardo Figueiredo, do Babilônia Rio Hostel.

Na favela, até o ano passado, as melhores casas e apartamentos eram disputados. Uma quitinete era alugada, em média, por R$ 1.300 — hoje, por R$ 600, está difícil conseguir interessados.

BISTRÔ DO ALEMÃO SEM CLIMA

Apreciador de uma boa cerveja, Marcelo Ramos Andrade abriu, em 2012, o bistrô Estação R&R na Nova Brasília, a Beverly Hills no Alemão. Era época em que o complexo estava bombando — na TV, a novela “Salve Jorge”, de Glória Perez, levou os becos da comunidade para as casas do Brasil inteiro e, pelo teleférico, que está parado, chegavam turistas curiosos. A realidade hoje é outra. Na noite da última quinta-feira, o bistrô estava vazio: a região tinha virado uma praça de guerra com a morte de um jovem de 16. O happy hour, em que se vende 150 rótulos de cervejas do mundo todo, ficou sem clima. No último mês, a queda no movimento nos fins de semana foi de 60%.

— Temos 30 anos de violência no complexo, mas agora está pior, porque o governo do estado abandonou a segurança. Vivíamos um período ótimo. Há um mês tivemos uma festa linda de Saint Patrick’s Day com a rua inteira lotada. Hoje não daria para fazer — lamenta Marcelo.

Mas o bistrô resiste. O negócio abriu duas filiais — no Bangu Shopping e no Carioca Shopping, na Vila da Penha —e lançou uma cerveja artesanal própria, a Complexo do Alemão, que roda feiras gastronômicas da cidade e é servida no Cadeg.


Globo Online | 01-Mai-2017 09:30

Perfil: Raimundão, o homem que protegeu Hulk na Tavares Bastos

RIO - Versátil. Assim é Raimundão, eletricista e produtor de cinema e TV, além de diretor do Centro Social da Tavares Bastos. Por abrigar a sede do Batalhão de Operações Especias (Bope) da PM desde 2000, sua comunidade, no Catete, é uma espécie de oásis de segurança entre os morros da cidade. Por isso, acaba sendo cenário de novelas e filmes. Com voz imponente e articulado até o último fio do cabelo, Raimundão, de 40 anos, é presença certa em cada gravação. E a vida dele bem que poderia ganhar as telas.

Raimundo Camargo Nascimento nasceu em um casebre na Praça Quinze. Com poucos meses de vida, foi morar com o pai, porteiro, a mãe, dona de casa, e as duas irmãs na Tavares Bastos. Teve “uma infância humilde, mas maravilhosa”: brincava de esconde-esconde, jogava futebol, soltava pipa. Estudou até a 7ª série e chegou a cogitar um envolvimento com o tráfico de drogas, que, tempos atrás, tinha grande espaço na comunidade.

— O tráfico de drogas ilude uma criança. Ela quer um tênis que custa uns R$ 500 e, como não tem o dinheiro, fica tentada. Mas meu padrinho (já falecido), que era o presidente da associação comunitária, me mostrou que o crime não era uma escolha legal, por não levar ninguém a lugar algum — diz Raimundão.

Adolescente, começou a trabalhar duro: foi feirante e vendeu picolé e suco de laranja nas ruas. Até que, em 1998, o diretor Cacá Diegues foi rodar cenas de “Orfeu” na Tavares Bastos. Raimundão, que já tinha feito um curso técnico de eletricista, resolveu se oferecer para um estágio na produção.

— Eles me colocaram para ajudar os eletricistas, ganhava uns R$ 20 por semana. Prestava atenção em tudo que os técnicos faziam e fui aprendendo. Quando acabou o filme, fiz uns cartões com o número de telefone da minha irmã e distribuí para a equipe — lembra.

CONVITE E VIAGEM PARA O EXTERIOR

Raimundão era dedicado, e agradou. Passou a ser chamado para participar de filmagens publicitárias fora do morro. Em 2001, a produtora Tereza Gonzalez, atual CEO do canal de humor Porta dos Fundos, que o conhecera em “Orfeu”, decidiu convidá-lo para trabalhar no longa “Buffo & Spallanzani”, de Flávio Tambellini.

— Ele era um rapaz empenhado, divertido, que se destacava. Para fazer cinema, você tem que contar com um missionário, e ele corre atrás de tudo, é um fenômeno — afirma Tereza.

Em 2006, foi a vez de a televisão descobrir Raimundão. A Record decidiu rodar cenas da novela “Vidas opostas” na comunidade do Catete, e o eletricista, que, àquela altura, tinha aprendido várias outras funções, virou coordenador de produção das cenas gravadas na favela. Na mesma época, uma equipe encarregada de buscar locações para “O incrível Hulk”, filme protagonizado por Edward Norton, aportou na Tavares Bastos.

— Pouco antes de o martelo ser batido, o diretor (Louis Leterrier) veio aqui. Quando ele me viu, disse que eu era o cara ideal para ser um dos personagens do filme, que impediria Edward de levar um tiro. Ele tinha pedido que produtores de elenco procurassem um ator. Poderiam ter escolhido qualquer pessoa. Fui eu — conta Raimundão, emocionado e até hoje impressionado com a surpresa do destino.

Desafio aceito, ele tratou de providenciar um passaporte e arrumar as malas para aquela que seria sua primeira viagem internacional — e única até agora: o set original do longa ficava em Toronto, no Canadá, onde Raimundão passou um mês e foi tratado como astro de cinema.

— Fiquei em um hotel cinco estrelas! Fiz passeios, comprei roupas em shoppings. Fui recebido de tal maneira que dinheiro nenhum pagaria — afirma.

Mas foi pago. Com o cachê que recebeu pelo trabalho no filme, o equivalente hoje a R$ 150 mil, construiu a laje da casa onde mora com a mulher, Maria das Dores, com quem é casado há 20 anos, e a sogra. Hoje, a família vive do dinheiro que ele recebe por trabalhos audiovisuais. E não são poucos.

— Não tem como filmar por aqui e não chamar o Raimundão, todo mundo do cinema e da TV o adora. Ele trabalha por quatro pessoas. E é um homem de bem, tem um coração enorme — frisa Bob Nadkarni, que é dono do misto de casa de jazz e hostel The Maze, instalado na Tavares Bastos nos anos 1980, que e conheceu Raimundão “quando ele ainda era Raimundinho”.

A pedido do faz-tudo, todas as produções rodadas na comunidade, como o clipe de “Beautiful”, de Snoop Dogg e Pharrell Williams, deixam uma contribuição para a Tavares Bastos. A novela “A força do querer”, no ar na Rede Globo, que terá cenas gravadas na favela semana que vem, doará uma quantia que bancará festas do Dia das Mães e do Dia das Crianças para os moradores. A série “Conselho tutelar”, da Record, comprou tintas para a pintura da quadra poliesportiva.

— Eu me sinto um pouco responsável pela Tavares Bastos — diz Raimundão. — Meu sonho é terminar a vida aqui e ver, ano a ano, a comunidade cada vez melhor.


Globo Online | 30-Abr-2017 11:22

Riotur quer recolocar Paquetá no roteiro do turismo carioca

RIO - Território dos índios tamoios até o final do século XV, a Ilha de Paquetá acabou nas mãos dos colonizadores portugueses, que dividiram as terras em duas sesmarias. Mas, apesar da importância histórica — há vários registros de visitas da família imperial ao local —, Paquetá só virou atração turística no final do século XIX, com a publicação do livro “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo. Depois, caiu novamente no esquecimento, mas, nos últimos tempos, está dando a volta por cima. Vem sendo redescoberta por cariocas, que lotam festas juninas, blocos de carnaval e festivais de gastronomia no local. E, como noticiou Berenice Seara em sua coluna no “Extra”, a ilha deve voltar a entrar na rota do turismo: a Riotur vai começar por ali um projeto de valorização — e revitalização — de áreas que já foram vistas como cartões-postais da cidade.

Segundo o presidente da Riotur, Marcelo Alves, o objetivo é recolocar a Ilha de Paquetá no roteiro dos turistas nacionais e estrangeiros. O trabalho deve começar daqui a, no máximo, dois meses. A ideia é oferecer um calendário de eventos mensais, envolvendo esportes, literatura e artes. Além disso, a prefeitura vai realizar cursos de capacitação na ilha e incluir na agenda eventos que já acontecem por lá, como o Festival da Guanabara e o bloco Pérola da Guanabara, que este ano atraiu dez mil foliões para seu desfile.

— A ideia surgiu numa visita da primeira-dama, Sylvia Jane, que tem uma memória afetiva da ilha. Ela já foi muito a Paquetá, inclusive na época de namoro com o prefeito, e tem um grande carinho pelo lugar — conta o presidente da Riotur. — Paquetá esteve muito tempo esquecida pelas autoridades. Apesar de continuar charmosa, a ilha precisa de melhorias.

POTENCIAL REDESCOBERTO

Quem visita hoje Paquetá percebe que muitos cariocas estão redescobrindo seu potencial turístico. Nos últimos dois anos, hostels, hospedarias, espaços com roda de samba e pequenos restaurantes com decoração moderninha abriram as portas em antigas casas do bairro, atraindo principalmente turistas de classe média. Endereços que vieram se juntar a um roteiro mais popular, que, segundo o presidente da Associação de Moradores de Paquetá, Alfredo Braga, faz com que a ilha tenha atrações para todos os bolsos.

Com uma proposta de turismo sustentável, o Solar dos Limoeiros, por exemplo, foi inaugurado em janeiro com apenas duas suítes, e funciona num anexo da residência da produtora Elvi Ficher, que há três anos mudou-se da Praça São Salvador, no Flamengo, para Paquetá, à procura de tranquilidade:

— Dez casas da região abriram as portas oferecendo hospedagem, eventos e agitando a vida noturna. A minha faz parte de um projeto de negócio que inclui a pousada e uma horta. Sirvo no café da manhã sucos de frutas colhidas no quintal e pães e bolos orgânicos. E temos público para isso.

Na Casa de Artes Paquetá, acontecem exposições, saraus e aulas de música. Já na Casa de Noca, o forte são os petiscos e as bebidas, como a cachaça artesanal. Se a vontade for saborear um cozido, um bobó de camarão ou uma feijoada, o indicado é tomar o rumo da Casa Flor nos fins de semana.

Com a notícia de que a Riotur vai investir na ilha, moradores e comerciantes esperam que problemas, como buracos nas ruas de saibro e o abandono de prédios históricos, entrem no foco da prefeitura.

— Acreditamos que pode ser uma grande oportunidade para realmente conseguirmos fazer de Paquetá um espaço que todos os cariocas usem mais. Ficamos felizes com o aceno da prefeitura de traçar um plano estratégico — diz o publicitário Guilherme Pecly, um dos integrantes do coletivo Pérola da Guanabara.


Globo Online | 30-Abr-2017 11:21

Jovens representam o Brasil em competição de matemática nos EUA

Eles têm entre 15 e 17 anos, se conheceram em competições e olimpíadas pelo país afora e formaram um time. Mas, em vez de suarem a camisa nas quadras, treinando dribles e passes, Juan de Araújo, Felipe Chen Wu, Rodrigo Ribeiro da Silva, Mark Helman, João Pedro Carvalho e Antônio Alves preferem exercitar o cérebro — encaram maratonas matemáticas. Apaixonados por números, cálculos, problemas e exercícios de lógica, eles já conquistaram dezenas de medalhas individualmente (somadas, totalizam mais de cem), e, em fevereiro, decidiram unir forças. Juntos, foram representar o Brasil no The Harvard-Mit Mathematics Tournament (HMMT), torneio de Matemática da Universidade Harvard e do Massachusetts Institute of Technology, que aconteceu em Boston, no Estados Unidos, conforme noticiou o colunista do GLOBO Elio Gaspari.

Numa das etapas, o Team Round, os seis componentes do grupo tiveram que solucionar dez problemas em um hora e obtiveram o primeiro lugar da América Latina (45º geral). Não trouxeram medalhas, mas voltaram para o Rio de Janeiro com vontade de encarar novos desafios. Sonham com uma medalha na 58ª Olimpíada Internacional de Matemática, que este ano acontece pela primeira vez no país.

— Valeu muito a experiência. Conhecemos estudantes de vários países e vimos como é alto o nível dos jovens que participam dessas competições. Voltamos com a sensação de que temos muito a aprender — diz Rodrigo da Silva, de 16 anos, morador de Vila Isabel que era aluno do Colégio de Aplicação da Uerj e que, no ano passado, mudou para o PH, por causa dos longos períodos de paralisações.

A competição reuniu cerca de 900 estudantes de várias nacionalidades. Durante dois dias, os participantes, todos alunos do ensino médio, fizeram testes individuais, que consistiam em 36 problemas envolvendo álgebra, geometria e muito raciocínio. Em todas as provas, o tempo de execução era um diferencial. Eles também encararam diversos testes em grupo, todos em inglês.

FINANCIAMENTO COLETIVO

A vocação para trabalhar juntos, os meninos descobriram antes mesmo da viagem. Para conseguir pagar as despesas, os adolescentes criaram uma vaquinha on-line. Com o financiamento coletivo, conseguiram arrecadar R$ 64 mil, mais R$ 20 mil do que pediam na internet.

O grupo tem um morador de Duque de Caxias, quatro da Zona Norte e um da Zona Sul. Em comum, além da paixão por números, eles contam com o incentivo dos pais.

— Os meus são comerciantes e, infelizmente, não concluíram o ensino médio devido a dificuldades financeiras, mas sempre me mandavam estudar quando eu era criança. Eles não sabem ler ou escrever em português, não tinham como me ajudar nas tarefas, só podiam me incentivar — conta Felipe Chen Wu, de 16 anos, que vive na Tijuca.


Globo Online | 30-Abr-2017 11:20

Jovens do Alemão convivem com a dor e a morte desde cedo

RIO - Com o bigode sempre aparado, FF, apelido de Felipe Farias, gostava de jogar bola no Inferno Verde, área do Complexo do Alemão onde foi criado por sua família. Participava de uma manifestação que pedia paz na favela ao ser atingido por uma bala na cabeça. Sonhava ser militar. Gustavo Silva perdeu a mãe ainda criança. Aprendeu a se virar desde cedo, trabalhando como ajudante de padeiro. Estava a caminho do trabalho às 6h, num dia de feriado, quando foi atingido também na cabeça. Caiu morto na porta da loja de roupas Bunker, na Alvorada, onde havia comprado uma camisa dias antes. Sonhava viajar pelo mundo. Paulo Henrique, rei das bolas de gude no beco onde vivia, no Cruzeiro, tinha apenas 6 anos no fim de 2010, quando 2,7 mil policiais e militares ocuparam o complexo onde ele nasceu. Pouco depois de completar 13 anos, um policial lhe acertou um cascudo forte por não gostar de vê-lo correr. O menino engoliu o choro e passou a abaixar a cabeça diante de policiais para não apanhar de novo. Enquanto caminhava para a casa de um amigo, onde jogaria videogame, foi atingido por um tiro na barriga. Perdeu o baço e o fígado, passou por duas cirurgias no Hospital Salgado Filho, mas não resistiu. Despediu-se da vida na terça-feira passada.

Paulo Henrique, Felipe e Gustavo, de 13, 16 e 17 anos, respectivamente, não se conheciam, mas tinham ao menos quatro coisas em comum. Eram jovens, foram criados no Alemão e morreram baleados na mesma semana, vítimas da guerra instaurada no Complexo do Alemão desde que a Polícia Militar decidiu instalar uma torre blindada no Largo do Samba, na Nova Brasília. Também foram enterrados no mesmo cemitério, em Inhaúma. Outras três pessoas morreram nos últimos dias no Complexo do Alemão: Bruno de Souza, de 24 anos, atingido em casa por um tiro de fuzil na perna quando aproveitava um dia de folga com sua família; Marcos Paulo Silva de Oliveira, de 15 anos, apontado pela Polícia Militar como traficante; e também uma senhora, de nome não identificado, que se assustou com o barulho dos tiros, teve uma parada cardíaca em casa e, ao cair, bateu a cabeça.

Segundo dados do Censo das Favelas, feito pelo governo do estado nas comunidades que receberiam investimentos do PAC, o Alemão tem aproximadamente 100 mil moradores, embora associações locais afirmem ser o dobro. Desses, 28% — quase 30 mil — são jovens de 15 a 29 anos, grupo mais vulnerável nas estatísticas brutais de homicídio no Brasil, onde mais de 50% das vítimas são dessa faixa etária. Apenas no Estado do Rio, em média, 2 mil jovens são assassinados por ano — mais de cinco por dia.

“Velhos momentos, grande saudade, eternas lembranças”, dizia a faixa carregada por dois adolescentes no enterro de Felipe Farias, na tarde de sexta-feira, no cemitério de Inhaúma. O caixão ainda estava aberto e havia ao menos 200 pessoas ao redor, a maioria amigos da escola e da vizinhança. Quando o caixão foi fechado, uma catarse tomou conta de quem estava perto. Um dos jovens tentou se jogar na cova, dizendo “volta, FF”. Outro repetia um pedido: “Bora pra praça, FF, bora jogar bola com a gente”. Um terceiro clamava por justiça: “É meu quinto enterro este ano, cadê a justiça?”. Na saída da cerimônia, o grupo de amigos se deparou com uma viatura da PM, estacionada na calçada do cemitério. Dois garotos apontaram para os policiais um fuzil imaginário. Um deles disse:

— A sorte desses vermes é que não sou bandido, mas nessas horas dá vontade de ser.

REVISTA POLICIAL ATÉ DEUNIFORME ESCOLAR

Na Avenida Central do Alemão, numa subida íngreme, três crianças brincavam com o celular da mãe de um deles enquanto, em casa, era preparado um churrasco. Seu Elias, motorista de caminhão e antigo morador da comunidade, descia com a caçamba de seu veículo lotada — era mais uma família deixando a favela para fugir da guerra. Logo em frente, dois policiais ocupavam irregularmente a laje de uma residência por ordem do major Leonardo Zuma, que insiste em manter os locais ocupados. Na quinta-feira da semana passada, o Tribunal de Justiça ordenou que a tropa saísse. Em um projeto social, do outro lado da rua, jovens conversavam sobre o que fazer durante um tiroteio: uma aula desnecessária no lugar onde todos aprendem muito cedo como agir em conflito.

— Meu irmão tem três anos de idade. Esta semana, ensinei a ele o que fazer quando os tiros começarem. Deitamos todos no chão, eu, ele e nosso irmão mais velho, de 20 anos, que tem autismo. Nunca usei drogas, nunca me envolvi com nada errado. Mas, quando eu passo, a polícia me vê como bandido. Já tive que tirar o uniforme escolar e esvaziar a mochila — desabafa Malcon Ozório, de 18 anos, nascido e criado no Alemão.

Estudante de turismo no curso técnico da Faetec, Malcon lembra de sua favela sendo visitada por turistas do mundo inteiro. Só a artista e produtora cultural Mariluce Souza chegava a levar 200 pessoas por dia em passeios de teleférico pelas 14 comunidades de lá. Isso acabou. O teleférico está parado há seis meses, suas estações viraram pontos isolados de policiamento e visitantes são uma espécie em extinção por ali.

Quem morre deixa marcas nas pessoas: nos muros, há pichações em homenagem aos que se foram. “Eduardo não será esquecido”, diz uma delas, sobre o menino Eduardo de Jesus, morto em 2015 com um tiro de fuzil na cabeça numa ação policial. No Cruzeiro, o pequeno Bryan, de 10 anos, veste uma camisa em que está escrito “Elaine vive”. É uma lembrança do enterro de Elaine Cristina, de 35 anos, atingida por uma bala perdida que deixou três filhos. Bryan conta que nunca perdeu ninguém de sua família para a violência, mas já se despediu de dois amigos em sua breve existência: além de Elaine, Paulo Henrique, de 13 anos.

— Era meu vizinho. A gente brincava muito, principalmente de bolinha de gude — conta.

Há crianças que brincam de tiroteio nos becos das favelas. Elas colam estacas de madeira para transformá-las em armas de brinquedo. Esse tipo de brincadeira, recorrente em outros lugares da cidade, não era vista há muito tempo. Voltou com os confrontos.

— As crianças veem e fazem igual — afirma o fotógrafo Bruno Itan, de 28 anos, idealizador do curso de fotografia Olhar Complexo, que vai formar em breve sua primeira turma, sendo 12 crianças e 27 adultos. — Quero ensinar as crianças o sentimento que a fotografia desperta, e dar a elas a referência de uma profissão.

Sonhando com uma vida melhor nesse cenário sírio, com tiros de fuzil e granadas explodindo na porta de suas casas, os jovens do Alemão perderam um ponto de apoio que ajudou a dar esperança para muitos e até mesmo a tirar pessoas do tráfico: o programa Caminho Melhor Jovem, que atendeu seis mil adolescentes de 15 comunidades da cidade, mas foi paralisado há dois meses. Quem não estudava conseguiu voltar para a escola com ajuda do projeto. Os que não trabalhavam eram encaminhados para cursos ou para um emprego. Foi assim com Hector Santos, de 20 anos. Apesar disso, ele já apanhou da polícia, a caminho de uma festa. Ao perguntar o que fizera para levar pontapés, recebeu uma resposta seca: “Nada, por isso mesmo está apanhando”. Sua casa foi revistada tantas vezes que sua mãe desistiu de arrumá-la.

— Eles sempre entravam com cachorros e bagunçavam tudo, procurando drogas. Minha mãe cansou — diz.

Hector conhecia Felipe, Paulo Henrique e também Caio de Moraes, assassinado aos 20 com um tiro no peito, há dois anos, crime atribuído a um PM da UPP Nova Brasília. Os assassinatos fizeram toda a sua geração perder a pouca esperança que retornara com a pacificação. Quando ele e seus amigos são indagados sobre o que sonham para o futuro, a resposta é uníssona: ver o Alemão em paz.


Globo Online | 30-Abr-2017 11:18

Tasca Filho D’Mãe dá início ao projeto Heranças Portuguesas

RIO — A cultura lusitana vai ser servida na Tasca Filho D’Mãe com o projeto Heranças Portuguesas. A proposta é promover uma viagem à terrinha acompanhada das fartas delícias da cozinha tradicional do país, principal inspiração do menu criado pelo chef Alexandre Henriques para o restaurante no Vogue Square.

A noite de estreia, na próxima quarta-feira, dará o tom dos encontros seguintes. Música, literatura e poesia serão misturadas no mesmo caldeirão cultural. O livro “História da gastronomia brasileira", de Ricardo Amaral e Robert Halfoun, é a inspiração para o primeiro evento, que começará às 20h. A obra passeia pela culinária brasileira, desde a época do Império, a partir de receitas e pequenos textos. As preferências de D. Pedro I ao desembarcar na colônia foram a diretriz para os cinco pratos elaborados por Henriques, o anfitrião. O próprio chef fez a pesquisa, ao lado da historiadora Ana Roldão.

— D. Pedro era mais fã das comidas dos escravos, como arroz, feijão, grãos e frango, do que dos pratos portugueses da corte. Uma das duas entradas que vamos servir é um bolinho de arroz e queijo canastra com chouriço de porco preto. São pratos que estão entranhados nas nossas raízes brasileiras — diz o chef.

O menu terá mais uma entrada, dois pratos principais e uma sobremesa, todos releituras do que D. Pedro I gostava. Ricardo Amaral receberá os comensais, contando histórias sobre o imperador que estão no livro.

Alexandre Henriques é filho de Henriqueta, proprietária da Gruta de Santo Antônio, de Niterói. O projeto apresenta as raízes da família. Sendo assim, diz ele, outros elementos não poderiam faltar, como os versos do poeta Fernando Pessoa, que serão recitados pelo ator português Tony Correia; e a apresentação da Banda Lusófona, com um repertório de fados.

+INFO

Heranças Portuguesas — Banquete do Imperador, na Tasca Filho D’Mãe, no Vogue Square. Quarta-feira, às 20h. Tel.: 3030-9080. R$ 220 por pessoa.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)


Globo Online | 30-Abr-2017 09:30

Espaços apertados e falta de vagas levantam discussões sobre garagens

Mais RIO - Era para ser mais uma simples assembleia de condomínio em um prédio da Zona Sul, até que chegou a hora de sortear a disposição dos carros na garagem. Diante do resultado, um morador resolveu protestar, dizendo que o sorteio estava “viciado”. Afinal, fazia anos que ele ficava sempre com as áreas de acesso mais complicado. Armada a confusão, uma moradora com dificuldades de locomoção também entrou na discussão. Ela achava que deveria ter prioridade em vagas de fácil manobra, devido à sua condição. Começou o bate-boca acerca deste ponto de atrito em tantos condomínios: a falta de espaço para estacionar.

O prédio em questão tem 49 apartamentos, sendo cinco coberturas, cada uma com direito a três vagas na garagem. As demais unidades têm direito a duas vagas. Mas o sorteio é necessário porque são três pavimentos de estacionamento, sendo dois subterrâneos, onde as manobras são mais complexas.

— A gente sempre fez assim, conforme prevê o regimento interno. Não consigo encontrar alternativa mais democrática. Não dá para, simplesmente, estabelecer um rodízio, pois o número de vagas no térreo é muito menor do que nas outras áreas — afirma a síndica do condomínio, que está no posto há dez anos e garante que o estacionamento está em primeiro lugar do ranking de problemas do prédio, juntamente com os vazamentos.

Ela afirma que o diálogo entre os moradores pode ajudar, já que a troca de vagas é negociável entre eles. Inclusive, há unidades que nem usam os espaços e podem cedê-los. Mesmo assim, está aberto o debate para encontrar uma solução, caso ela exista.

DEFINIÇÕES EM ASSEMBLEIAS

De acordo com o diretor jurídico da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), Marcelo Borges, a garagem é um dos ambientes mais importantes para a vida condominial, atestando a qualidade da atuação do síndico como gestor. Entre rodízios e sorteios, alguma solução precisa ser encontrada com a devida aprovação dos moradores.

— Aqueles condomínios que conseguem ter um controle por meio de regras estabelecidas em assembleia funcionam melhor. Uma vez aprovadas, essas decisões têm que ser o norte, apontando quais são as responsabilidades dos condomínios e quais são as dos usuários — comenta ele.

Mas muitas vezes, os problemas aparecem em função do próprio espaço delimitado para a vaga. Elaine Cabral, moradora do Enjoy Residences, no Recreio, ficou surpresa ao se mudar há cerca de um mês para o condomínio e perceber que na casa recém-comprada não era possível guardar os dois veículos da família, ao contrário do que garantia a escritura.

— É um absurdo, um desrespeito. Comprei um imóvel pensando que teria o conforto da garagem, mas agora tenho que parar na rua, o que gera muito transtorno, pois tenho duas filhas pequenas, chego com compras, levo chuva na cabeça... Se entro com o carro, sequer consigo abrir a porta para sair. Será que a construtora não mediu antes? É surreal — desabafa ela.

TAMANHOS VARIADOS

Segundo o advogado especialista em direito imobiliário Hamilton Quirino, o Código de Obras do Município estabelece uma largura mínima de 2,5m para as vagas de garagem. Já a extensão precisa ter ao menos 5m ou 6m, sendo a última metragem obrigatória para espaços paralelos ao eixo de circulação.

Como referência de tamanho, um Honda HR-V, utilitário mais vendido atualmente no Brasil, mede 1,77m de largura e 4,29m de comprimento. Já uma picape Toyota Hilux de cabine dupla tem, respectivamente, 1,85m por 5,33m.

— Se não forem cumpridas cláusulas contratuais a respeito das vagas, o morador poderá acionar o construtor. Se for prédio antigo, devem ser cumpridas as normas da convenção do condomínio e de seu regulamento interno — completa o Quirino.

Por meio de nota, Eric Labes, diretor da Labes Melo, construtora responsável pelo Enjoy, informou que empreendimento está dentro da legislação em vigor no Rio, tendo sido vistoriado e recebido o habite-se da prefeitura, autorizando a ocupação do mesmo, e averbado no Registro de Imóveis.

Para o advogado Marlon Mattos, também especialista no setor, o ideal é que o morador que suspeite de alguma irregularidade chame um arquiteto de confiança para fazer uma consulta de informação na prefeitura, na qual todas as intervenções que podem ser feitas no referido endereço serão detalhadas.

Segundo ele, não é comum que as dimensões das vagas deixem de ser atendidas pelas construtoras, porque, neste caso, a prefeitura não concederá o habite-se da obra. No entanto, na prática, há situações em que, após a entrega do empreendimento, proprietários e condomínios decidem informalmente alterar as dimensões para aproveitar melhor o espaço.

— De todo modo, se o não atendimento das dimensões tiver origem na construção, o condomínio ou mesmo os adquirentes podem propor ação judicial contra a construtora por vício construtivo. Porém, se a redução de tamanho das vagas estiver ligada a uma ação posterior do condomínio, o mesmo pode ser alvo de uma ação para obrigar a restituir as medidas originais.

MOBILIZAÇÃO INTERNA

O advogado especialista em direito imobiliário Celso Simões reforça que a incorporadora deve obedecer às posturas municipais e garantir o cumprimento do que está previsto na incorporação do prédio e no contrato de venda e compra das unidades. O condomínio, por sua vez, deve sempre fazer cumprir as regras previstas na respectiva convenção. Se houver qualquer desconformidade, o morador pode sempre procurar algum tipo de mediação de conflitos e, se necessário, acionar os responsáveis judicialmente.

— Mas nada disso impede que os vizinhos se unam no sentido de encontrar uma solução prática que resguarde a equidade dos condôminos e garanta a harmonia da vizinhança. Pode-se, por exemplo, contratar um corpo de manobristas, adquirir paletes para o deslocamento transversal de veículos ou alugar eventuais vagas ociosas — diz ele.

Simões acrescenta ainda que, em alguns casos, o problema nas garagens pode decorrer da má utilização do espaço. Ele explica:

— É possível que a incorporação do prédio preveja vagas de tamanhos grande, médio e pequeno (sempre obedecendo às posturas municipais). Há casos em que o condômino tem direito a uma vaga de tamanho médio, e acaba adquirindo um utilitário ou uma picape de maior porte. Nestas situações, a reclamação deve ser direcionada ao morador, não à incorporadora. Também cabe uma atuação fiscalizatória por parte do condomínio.

Outra situação que é frequentemente alvo de reclamações é quando os veículos aparecem, da noite para o dia, danificados em função das manobras feitas nestes locais. O diretor jurídico da Abadi, Marcelo Borges, afirma que já existe uma jurisprudência bem consolidada indicando que o condomínio só é responsabilizado quando assume o dever de guarda dos veículos. Seria o caso de um prédio que contrata vigilantes, manobristas ou estabeleça no regulamento interno que detém essa responsabilidade.

— O carro é um bem e como tal, é natural que os proprietários queiram ser indenizados quando um problema acontece — pondera Borges. — Por isso isso é importante que os condomínios sejam muito bem assessorados na hora de definir suas normas.


Globo Online | 30-Abr-2017 09:30

Clemilson Ferreira criou raízes no Aloha, após prestar consultoria

RIO - Quando veio da Paraíba para o Rio, há 17 anos, Clemilson Ferreira não imaginava que assumiria a cozinha de um restaurante. Ele foi fisgado pelo clima havaiano do Aloha, estando à frente da casa da orla da Barra desde novembro, após concluir uma consultoria no estabelecimento em parceria com o chef Pedro Pecego, que o indicou ao cargo.

— A primeira vez que criei um prato foi com o Pedro, no Bottega del Vino. Comecei a criar outros e a colocá-los no menu como sugestão. Os clientes gostam disso — diz Ferreira, de 35 anos.

O paraibano começou a conquistar espaço e conhecimento ao fazer as malas rumo ao Rio, em 2000, para trabalhar com um tio no italiano Mangiamo, na Barra. De lavador de pratos ele passou para a estação de saladas, depois de muito pedir. Em 2004, migrou para o extinto Hard Rock Café, atraído pelo salário mais alto, em grande parte enviado como ajuda aos pais e aos seus dois irmãos e três irmãs. Lá, chegou a primeiro cozinheiro.

Em 2006, ele foi para o Cordato, no Hotel Transamérica. A promoção a sous-chef foi a convite de Pedro Pecego, com quem trabalhava pela primeira vez:

— Fiquei muito feliz. Naquele dia nem consegui dormir direito. Passei três dias sem acreditar. Era um sonho. Gosto de estar na cozinha, de criar.

Ele atuou como sous-chef por quatro anos. A parceria continuou quando Pecego assumiu a cozinha de outras casas, como o Bottega del Vino, no Leblon, e o Paris 6, em Porto Alegre (RS), e também em consultorias. Agora, no Aloha, o chef quer surpreender ainda mais o público.

— Gosto de abrir a geladeira, ver os produtos e criar sugestões para o fim de semana ou para um feriado — conta.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)


Globo Online | 30-Abr-2017 09:30

Os projetos da terceira geração de paisagistas do escritório Burle Marx

RIO - Depois de caminhar três minutos pelo térreo do BNDES, um vasto paredão repleto de filodendros, planta da família das aráceas, enche os olhos de quem cruza a passagem que liga o Largo da Carioca à Avenida República do Paraguai. O cantinho do jardim, projetado por Roberto Burle Marx (1909-1994) no final dos anos 70, é um oásis em meio ao vaivém nervoso do Centro do Rio.

O cenário inspira o arquiteto e paisagista Gustavo Leivas, de 43 anos:

— Vamos tentar fazer uma foto no meio dos filodendros? Seria uma homenagem ao clássico retrato do Roberto no sítio — sugere ele, enquanto busca a imagem de referência no celular e é prontamente apoiado pela fotógrafa Ana Branco.

Gustavo, que conheceu Roberto apenas por fotos, depoimentos em vídeo e livros, posa ao lado de seus dois sócios, Isabela e Julio Ono, de 42 e 40 anos, respectivamente, que cresceram tendo o mestre do paisagismo brasileiro como um integrante da família. Os dois são filhos do arquiteto e paisagista Haruyoshi Ono — o mais aplicado discípulo de Burle Marx —, que morreu em janeiro passado, aos 73.

Enquanto tentam lidar com a saudade de Haru, como todos se referem ao simpático brasileiro filho de japoneses, os três enfrentam juntos o desafio de manter vivo o traço e cuidar do legado dos dois artistas. À frente do Escritório Burle Marx, Isabela, Julio e Gustavo agora se dividem no trabalho de restauração de jardins históricos e na elaboração de projetos novos em folha.

— Haru dava o primeiro traço e depois dividia o projeto com um de nós três. Parecia que, no dia a dia, ele já estava passando as coisas para que nós fôssemos assumindo mesmo — conta Isabela.

Julio completa:

— Para nós é natural manter a essência.

Criados em meio a obras e jardins, Isabela e Julio seguiram os passos do pai e fizeram Arquitetura na UFRJ. Logo nos primeiros períodos da faculdade, começaram a estagiar no Escritório Burle Marx. Colega de Isabela na faculdade, Gustavo passou a integrar o time de aprendizes em 1995.

— Nós começamos como estagiários, passando a limpo os desenhos do Haru, assim como Haru começou como estagiário do Roberto, também limpando os seus desenhos e, organicamente, incorporando o traçado. Quando cheguei ao escritório, ouvia as arquitetas comentando que às vezes não sabiam dizer quem tinha feito um determinado desenho, Haru ou Roberto — ressalta Gustavo, que depois do estágio trabalhou na Prefeitura do Rio, teve escritório próprio, morou no Canadá e, em 2005, retornou ao Burle Marx já como sócio.

De lá para cá, Gustavo trabalhou ao lado de Haru em projetos importantes como o Parque da Vila dos Atletas da Rio-2016; o paisagismo do Museu do Amanhã; e a revitalização dos jardins do terraço do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), no Castelo.

— O jardim do IRB, modernista, foi projetado por Roberto no início da década de 1940. Há três anos nos procuraram para resgatar o projeto original, e o maior desafio foi fazer a adequação a novos elementos, como a casa de máquinas dos elevadores — conta Gustavo.

Na mesma linha, o escritório cuidou, recentemente, da restauração dos jardins do BNDES, do Edifício Gustavo Capanema, do Instituto Moreira Salles e do Hotel Nacional (ano passado reaberto como Gran Meliá Nacional). Os cinco integram uma lista de 84 jardins e painéis tombados por decreto assinado pelo ex-prefeito Eduardo Paes em 2009, ano do centenário do nascimento de Roberto. A iniciativa foi do arquiteto e urbanista Washington Fajardo, à época subsecretário de Patrimônio Cultural, Intervenção Urbana, Arquitetura e Design do Rio.

— Esse inventário foi um reconhecimento da relevância do Burle Marx para a construção da paisagem moderna brasileira. Mesmo não dando aula, ele criou uma escola — ressalta Fajardo.

As aulas (informais, mas práticas) de Isabela e Julio começaram cedo, no Sítio Burle Marx, em Barra de Guaratiba — propriedade que abriga uma das mais importantes coleções de plantas do mundo, doada por Roberto ao Iphan em 1985. A família tinha o costume de passar os fins de semana e comemorar aniversários com o anfitrião. Fernando, o filho mais velho de Haru, também vivia lá, chegou a ingressar na faculdade de Arquitetura, mas acabou transferindo a matrícula para Licenciatura em Música.

— Mas o trabalho do Roberto foi tão marcante para ele quanto para nós, com certeza. Prova disso é que o Fernando fez uma tese de mestrado sobre a poética da abstração das pinturas de Burle Marx — conta Isabela.

Telas, desenhos e joias criadas por Burle Marx ocupam as paredes do escritório, num casarão em Laranjeiras. A sala de Haru está intacta desde janeiro. Livros e fotografias estão cuidadosamente arrumados nas estantes de madeira do jeitinho que ele deixou. Na sala ao lado, os projetos do escritório desde 1955 estão milimetricamente organizados e catalogados em tubos próprios para o acondicionamento.

— Meu pai entrou no escritório em 1965, depois de passar no Parque do Flamengo com um amigo da faculdade e anotar o telefone que estava numa placa da obra. E logo conseguiu estágio. No início, ainda sem muito trabalho, ele passou a catalogar o acervo de trás para frente. Todos os projetos estão bem organizados até hoje graças a ele, que era metódico — conta a arquiteta.

A ideia é transformar o acervo em um instituto:

— Todos os dias chegam em nossa caixa de e-mail solicitações de publicações fora do país, museus do mundo inteiro, estudantes de arquitetura. O objetivo é que, com o instituto, a gente crie um braço do escritório, para melhor administrar o acervo. Às vezes, a gente está na prancheta desenhando e tem que parar para cuidar dessas demandas.

O instituto, provavelmente, levará o nome do Roberto e Haru, uma forma de reconhecimento do trabalho de continuidade realizado pelo fiel jardineiro de olhos puxados. Outro projeto em andamento é o livro “Paisagismo brasileiro: Roberto Burle Marx e Haruyoshi Ono, 60 anos de História”.

— O meu pai tinha tanto respeito pelo Roberto que nunca quis se sobrepor. Nos últimos 20 anos, ainda falava do Roberto no presente. Ele poderia ter sido muito mais estrela, mas tinha o jeito dele, reservado, oriental, e a gente respeitava — lembra Isabela. — Mas ele deu continuidade ao escritório e realizou projetos importantíssimos aqui e lá fora, como o Parque Kuala Lumpur City Centre, onde estão as torres gêmeas da Malásia. O livro será uma homenagem.

Além dos projetos institucional e editorial, estão nas pranchetas do escritório alguns novos jardins públicos, como o do novo Museu do Pontal e a expansão do Jardim Botânico, o parque. Chamado de Espaço Mata Atlântica, a ampliação fica numa área pouco conhecida da maioria dos cariocas, que conta com o histórico Aqueduto da Levada. No local funcionava o Clube Caxinguelê, demolido há poucos anos. O projeto foi desenvolvido entre 2012 e 2015 por Haru, com coautoria dos três sucessores.

— Estamos propondo também outros atrativos para o público em geral, não necessariamente pesquisadores, com a criação de deques, pérgola e espelho d’água com coleção de plantas aquáticas. A ideia é refletir a paisagem do entorno e proporcionar novos ambientes de lazer dentro do parque. O projeto executivo já foi entregue e estamos no aguardo da aprovação para execução — conta Julio.

Outro grande projeto que o trio pretende tirar do papel é um estudo conceitual para a Enseada de Botafogo, feito por Haru de presente para o Rio no aniversário de 450 anos da cidade.

— Apesar de estar num cartão-postal e entre dois projetos importantes desenvolvidos por nosso escritório, a Avenida Atlântica e o Parque do Flamengo, a área não recebeu até hoje a devida atenção em termos paisagísticos. Além disso, haverá sinergia, uma vez que os canteiros centrais da Praia de Botafogo foram projetados por Roberto Burle Marx na década de 50 — observa Gustavo.

Ciclista, Gustavo pensou no projeto numa pedalada matinal. E a ideia foi logo abraçada por Haru, que desenhou o piso do calçadão junto aos prédios, um mosaico em pedras portuguesas — nos últimos tempos, ele só pensava em criar pisos e painéis, a ponto de doar uma obra para o novo Centro de Treinamento do Flamengo, o Ninho do Urubu, em Vargem Grande, só para complementar o jardim, mesmo sendo torcedor do Fluminense.

— Nossa proposta foi pensada para a enseada como um todo e contempla também o ordenamento paisagístico dos equipamentos e mobiliários urbanos, da vegetação a criação de uma ciclo faixa ao longo da avenida interna, e construção de passagem em nível para pedestre nas calçadas dos cruzamentos das ruas que desembocam na praia. A ideia foi priorizar o pedestre e valorizar o caminhar, estimulando o uso e a presença das pessoas — pontua Isabela.

O trabalho de continuidade da marca Burle Marx, no âmbito público e privado, é visto com bons olhos pelo arquiteto Luiz Eduardo Indio da Costa:

— Os três estão perfeitamente capacitados para seguir o traçado do Burle, que introduziu uma nova maneira de projetar jardins no Brasil, que até então seguida as escolas inglesa e francesa — afirma Indio da Costa. — O Haru já era discípulo do Burle e, como eles trabalharam muito tempo com o Haru, é uma transição perfeitamente natural. São herdeiros intelectuais capazes de seguir a mesma linguagem criada por ele.


Globo Online | 30-Abr-2017 09:30

Promotora de eventos cria projeto para atrair mais cerimônias ao Rio

RIO - Em suas viagens pelo mundo, a promotora de eventos Simone Tostes não podia sentir cheiro de noiva que ia atrás para tentar bisbilhotar a cerimônia de casamento. Com o passar dos anos, levou essa mania para o trabalho e passou a oferecer o serviço de destination wedding, em que exporta casais de noivos para 15 países e faz do momento do “sim” uma experiência multilinguística.

— Faço eventos há 20 anos, e, há dez, comecei a promover casamentos tradicionais em municípios como Angra, Itaipava e Búzios. Mas, uma vez, num resort no Caribe, fiquei impressionada ao ver como eles montavam uma cerimônia em coisa de minutos. Aqui, isso leva uma média de cinco horas. Pensei então em criar o site Aonde Casar, que oferece opções de cerimônias pelo mundo — conta.

Para montar um farto cardápio, a empresária visitou mais de cem locações, entre hotéis, resorts e salões de festas. Em suas inspeções, avalia gastronomia, localização, conforto e acessibilidade.

Além de organizar o matrimônio, Simone se encarrega de toda a viagem do casal e dos convidados. Para preencher o tempo, oferece passeios e organiza uma festa de boas-vindas e um brunch no último dia.

— Como numa cerimônia fora do país vai muito menos gente, naturalmente a festa fica bem mais barata. E os noivos passam mais tempo com seus convidados — observa.

Inspirada por estratégias desenvolvidas em outros países, Simone decidiu ampliar o negócio e criar o site Wedding Rio, destinado ao público estrangeiro. Além de opções na capital — onde ela tem parceria com grandes hotéis, como o Grand Hyatt e o Sheraton Barra —, a página, em construção, terá opções na Região Metropolitana, na Serra e na Região dos Lagos:

— A Toscana (Itália) tem um departamento de casamentos dentro do Firenze Convention & Visitors Bureau, e o setor de turismo da Cidade do México tem um romance manager. Os dois países enxergam o matrimônio como um negócio lucrativo. Já a Embratur incentiva a lua de mel, que atrai só o casal. O destination wedding leva mais pessoas ao destino.

Consultora do segmento Romance e Destination Wedding do Rio Convention & Visitors Bureau, Simone montou um projeto que apresentará à fundação e à Riotur. Garante que a proposta pode deixar o Rio entre os dez principais destinos de casamentos do mundo.

— O mercado de matrimônios movimenta cerca de US$ 298 bilhões, e o de destination wedding, aproximadamente US$ 80 bilhões. É muito relevante — diz.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)


Globo Online | 30-Abr-2017 09:30

Metade das sessões da Câmara de Niterói terminam sem votações

NITERÓI - A principal função do Poder Legislativo, como o nome já diz, é legislar. Mas na cidade, um levantamento do GLOBO-Niterói com base nas atas e ordens do dia das 28 sessões plenárias da Câmara deste ano mostra que em mais da metade delas nenhum projeto de lei foi votado. Na terça-feira passada, a pauta de votações foi destrancada, após passar mais de um mês suspensa. Vereadores da base e de oposição concordam que a casa precisa agilizar a votação de vetos para evitar que situações como essas se repitam. Projetos importantes como o Plano Diretor e a Lei de Diretrizes Orçamentárias ainda tramitam nas comissões à espera de votação.

Segundo o levantamento, em 15 das 28 sessões não tiveram votações. Nas outras 13, foram votados 33 projetos de lei e vetos do prefeito Rodrigo Neves (PV). Porém, 18 deles entraram em pauta logo na segunda e terceira sessões do ano, realizadas em 17 e 20 de fevereiro. O último projeto de lei foi votado em 16 de março. Depois disso, a pauta foi trancada para a votação de seis vetos. Em 5 de abril, a sessão não ocorreu por falta de quórum, já que apenas cinco vereadores apareceram no plenário. Nos bastidores da casa, circulou a informação de que boa parte dos faltosos esteve num almoço na casa do presidente da Câmara, Paulo Bagueira (SD). O episódio provocou um grande bate-boca no dia seguinte, entre Bagueira e Paulo Eduardo Gomes (PSOL).

De acordo com a Lei Orgânica do município, a Câmara tem 30 dias para decidir se mantém ou derruba vetos do prefeito. Caso esse prazo não seja cumprido, nenhum projeto de lei pode ir a plenário. A proibição também se estende a outras atividades legislativas, como requerimentos, utilizados pelos parlamentares para solicitar informações a órgãos públicos e privados ou para agendar audiências públicas, entre outras funções.

‘UM PEQUENO SACRIFÍCIO’

Líder do governo e presidente interino da casa, o vereador Milton Cal (PP) afirma que um dos seis vetos apreciados, que tratava da cobrança de Imposto Sobre Serviços (ISS) das operadoras de cartão de crédito, fez com que a pauta ficasse tanto tempo trancada.

— Estávamos esperando a apreciação de um veto do presidente Michel Temer no Congresso, para que pudéssemos apreciar a questão em Niterói. É importantíssimo para a cidade que a cobrança ocorra no local em que os serviços são prestados, e não onde as empresas estão sediadas. Por isso, fizemos esse pequeno sacrifício (de ficar um mês sem votações) — explica.

O trancamento da pauta, entretanto, não é um caso isolado. O GLOBO-Niterói mostrou em abril do ano passado que o expediente fez com que a Câmara parasse por cerca de 45 dias. Outros trancamentos também ocorreram em agosto de 2014, setembro de 2015 e, mais recentemente, em outubro do ano passado. Ainda segundo Cal, é normal que a Câmara tenha mais dificuldades no começo do ano, já que vários vetos recebidos durante o recesso parlamentar começam a contar prazo assim que o ano legislativo é reaberto.

— Sempre no início do ano há esse meio-termo, de funcionarmos com mais dificuldade. Isso é ainda mais acentuado no começo de legislatura, porque os novos vereadores ainda estão tomando pé do funcionamento da casa — conclui.

Para Bruno Lessa (PSDB), mesmo tendo um motivo justo desta vez, o trancamento da pauta é um problema que precisa ser enfrentado.

— O que temos que fazer quando isso ocorre é tentar destrancar (a pauta) com um pouco mais de celeridade. Nesse início de mandato, a produção é menor porque os vereadores recém-chegados ainda estão apresentando seus projetos de lei, mas considero uma produção pequena. Na minha opinião, o ideal seria haver votações em todas as sessões — avalia o vereador.

Lessa destaca ainda que o trancamento da pauta prejudica a atividade fiscalizatória dos parlamentares, uma vez que não podem enviar requerimentos de informação à prefeitura nem a outros órgãos de interesse.

— Temos que discutir também a questão de os vetos trancarem a pauta. Em nível federal, esse mecanismo não existe. A Câmara dos Deputados tem mais de três mil vetos aguardando votação. Nesse período, mandei muitos ofícios pedindo informações com base na Lei de Acesso à Informação para driblar essa limitação — ressalta o tucano.

ENTRE AS MAIS CARAS

Um levantamento do GLOBO-Niterói no ano passado mostrou que o município tem um dos legislativos mais caros do estado. A Câmara teve um orçamento de R$ 57 milhões em 2016, ficando abaixo apenas de Duque de Caxias (R$ 64,6 milhões). O custo para cada uma das 21 vagas de vereador chegava a R$ 2,57 milhões por ano, o maior valor entre as dez maiores cidades fluminenses. Este ano, a Câmara tem um orçamento previsto de R$ 64,1 milhões, segundo a Lei de Orçamento Anual (LOA) aprovada no ano passado.

Durante o período em que a pauta esteve trancada, os vereadores foram a plenário para registrar presença e discutir sobre temas variados. Alguns relacionados à cidade, como reclamações sobre o funcionamento das escolas municipais, listadas por vários deles. Também discorreram sobre temas que vão desde a crise política da Venezuela — que mereceu até uma moção de aplausos ao seu processo eleitoral — até a aplicabilidade (ou não) das ideias comunistas nos dias de hoje, passando pela polêmica envolvendo o jogo Baleia Azul e a crise de representatividade vivida pelas instituições em âmbito nacional e global.


Globo Online | 30-Abr-2017 09:30

Passarelas do Aterro ganham faixas pedindo permanência da operação Segurança Presente

RIO - As passarelas espalhadas ao longo do Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, amanheceram neste sábado (29) com faixas fixadas por moradores, pedindo a permanência da Operação Aterro Presente. É um protesto contra a incerteza que ronda a continuidade da operação. Até o momento, a Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), que financia integralmente o programa Segurança Presente no Aterro do Flamengo, além da iniciativa na Lagoa e no Méier, não decidiu ainda se manterá a parceria com o governo do estado. O contrato de dois anos para custear essas operações, no valor de R$ 47 milhões, vence em dezembro.

Moradores dos bairros abrangidos pela Aterro Presente ainda não sabem quem foi o grupo responsável pela colocação das faixas. Pela manhã, integrantes da própria Fecomércio foram às passarelas fotografar as faixas.

Em meio à dúvida sobre a continuidade da operação, um grupo de 200 moradores vai promover neste domingo, na base da operação Aterro Presente, uma festa com premiações para homenagear os agentes da operação que se destacaram nos quatro primeiros meses do ano, na avaliação do comando. A ideia é que, a partir de agora até dezembro, três agentes ganhem prêmios a cada mês, financiados próprios moradores.

Moradora do Flamengo desde que nasceu, Marisa Dreys, de 49 anos, é uma das organizadoras da festa. Desde novembro, participa de um grupo de WhatsApp em que cerca de 200 moradores se comunicam com o comandante da operação Aterro Presente, Major Amandy Perez.

- Assumi a gestão da operação em setembro do ano passado e criei esse grupo. Embora a gente viva esse clima um pouco incerto, nós acreditamos que o apoio e a pressão popular vão convencer a Fecomércio a continuar investindo na segurança pública. Esse evento em si, para nós, é como se fosse um combustível. O reconhecimento da população é algo muito motivador - afirma o major.

A ideia da homenagem mensal surgiu no início do ano, e a primeira cerimônia coincidiu com a notícia de que a Fecomércio não garante a renovação da operação:

- Querer acabar com isso é até uma falta de responsabilidade social. Até 2015 (quando começou a operação no Aterro) o que você mais via era gente sendo esfaqueada. O Aterro do Flamengo estava abandonado, jogado aos marginais. Acabar com essa operação é fechar os olhos para o clamor da população. É uma necessidade, quase uma questão de saúde pública. Vai ser uma tragédia para o Aterro - opina Marisa.

Na cerimônia de amanhã, além de prêmios como liquidificador, camisas de grife, sanduicheiras e secadores de cabelo, os agentes premiados vão receber diplomas e medalhas, diante de uma mesa com lanches preparadas pelos moradores e ao som de um coral de moradores de rua. No fim do ano passado, os moradores também se juntaram para oferecer uma ceia de Natal aos agentes.

O advogado Daniel Sanchez, de 38 anos, também faz parte do grupo. Disse que, com as informações sobre o possível fim da operação, a homenagem passou a ser encarada como um gesto "de solidariedade":

- A operação supriu uma deficiência que existia. A gente acabou se solidarizando e fizemos também um abaixo-assinado (contra o fim da Segurança Presente). A gente promoveu ainda uma vaquinha online para financiar um protesto de apoio. Se ela acabar, além de muitos assaltos, acho que a gente vai ter o caos em toda a área do 2º BPM (Botafogo). Antes do Aterro Presente, os policiais tinham um contingente maior ali, e ele foi redirecionado pra outras áreas. Teremos uma marcha criminal muito maior - aposta.

Na semana passada, a secretaria estadual de Governo disse que houve uma conversa entre os coordenadores das operações e a presidência da Fecomércio, e a entidade sinalizou que não quer dar continuidade à parceria. Em nota, afirma que “não há, no momento, negociações para renovação do programa”, mas que “o assunto está sendo estudado”. O contrato de dois anos para financiar o projeto no Aterro, Lagoa e Méier, no valor de R$ 47 milhões, vence em dezembro.


Globo Online | 29-Abr-2017 23:24

Casal gay não consegue voltar para casa após espancamento na Tijuca

Caberá à Defensoria Pública entrar com uma medida cautelar para que o engenheiro Flavio Miceli, de 60 anos, e o funcionário público Eduardo Michels, de 62, tenham assegurado o direito de entrar na vila onde moram, na Tijuca, e se envolveram em uma briga na noite do dia 21 de abril, quando acontecia uma festa no local. O casal homossexual acusa os vizinhos de agressão, homofobia e de terem trocado a fechadura do portão que dá acesso à área comum do espaço para que eles não pudessem voltar lá. Os dois estão morando, provisoriamente, na casa de familiares. Flavio ainda tem marcas de espancamento espalhadas pelo corpo, as dores de cabeça não cessaram por completo e sua visão continua turva.

— Ainda estou muito abalado e sem ter como entrar em casa para tirar minhas coisas. Solicitei à administradora do imóvel que nos desse uma cópia da chave do portão de entrada, mas eles lavaram as mãos. Diante isso, recorremos à Defensoria Pública. Fui brutalmente agredido e xingado de tudo quanto é nome por esses vizinhos que são homofóbicos e intolerantes. O pretexto para tanto ódio começou quando reclamamos das festas que eles fazem até 5h da manhã. É muito barulho — conta Miceli.

Na noite da confusão, a polícia foi chamada, mas Flavio e Eduardo também foram acusados de agressão.

— Como duas pessoas são capazes de agredir as cem que estavam na festa? Eu levei tanto soco na cabeça que caí em cima de uma senhora. Não agredi ninguém e, além de espancado, ouvi absurdos, como “aqui não é lugar de gay” — afirma o engenheiro.

As dores físicas e morais dividem as atenções com as dificuldades básicas que Flavio e Eduardo enfrentam por estarem impedidos de voltar para casa.

— Estou com a roupa do corpo desde segunda-feira. Quero justiça. Primeiro, quero tirar minhas coisas de lá e me mudar. Depois, vamos seguir com uma ação criminal, pedir proteção e também uma indenização — planeja Eduardo Michels.

No início da tarde de hoje, O Globo foi à vila na Tijuca onde a briga aconteceu, mas nenhum morador atendeu à nossa reportagem.


Globo Online | 29-Abr-2017 20:47

Documento cria regras para proteger árvores contra podas danosas

NITERÓI - A luta pela preservação das árvores espalhadas em áreas públicas de Niterói avança para uma nova fase. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a prefeitura e a concessionária de energia Enel — responsável pela poda quando os galhos estão em contato com a rede de alta-tensão — determina obrigações para pôr fim aos cortes considerados danosos — aqueles que retiram mais de 70% das copas.

NIt árvores

Os excessos praticados nesse tipo de serviço, que, em alguns casos, deixam somente o tronco das árvores, começaram a ganhar visibilidade depois de protestos e mobilizações de moradores, como Célia Costa. Ela, administradora do grupo Salvem as Árvores de Niterói, cobra agora que o poder público cumpra o papel fiscalizador.

— Começamos com protestos, depois recolhemos assinaturas e recorremos ao Ministério Público, que reuniu as partes e fez esse documento. As pessoas, ao que parece, não sabem o benefício que uma árvore traz. Um ipê-rosa florido na rua é algo que alegra os olhos, atrai insetos, pássaros — avalia Célia, moradora de São Francisco.

O TAC estabelece que, quando a poda danosa for necessária por afetar a rede elétrica, a Enel deverá comunicar o caso à Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), com registro de foto, em busca de autorização para o corte. As secretarias de Meio Ambiente e a Seconser ficam responsáveis pela fiscalização do serviço e podem autuar a concessionária em caso de descumprimento das regras. O documento também determina que profissionais qualificados em botânica, biologia ou engenharia florestal e agrônoma estejam à disposição das equipes de poda.

A secretária de Conservação e Serviços Públicos, Dayse Monassa, destaca que o termo também prevê compensações:

— Se a árvore precisar ser suprimida por estar em conflito com a fiação, a Enel tem que providenciar, como contrapartida, a doação de mudas para o replantio, por meio do projeto Verdes Notáveis.

Caso seja constatado o descumprimento de qualquer uma das obrigações listadas no documento, a concessionária será multada em R$ 5 mil por evento. O dinheiro será revertido ao Fundo Municipal de Meio Ambiente.

A prefeitura esclarece que o TAC foi iniciado a partir de uma solicitação da Secretaria de Meio Ambiente, que identificou a necessidade de a Enel realizar o manejo de forma a não prejudicar as árvores.

Os itens do TAC foram definidos a partir de reuniões realizadas entre a Seconser, a Secretaria de Meio Ambiente, a concessionária e o Ministério Público.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)


Globo Online | 29-Abr-2017 20:09

Após confrontos, mais de 20 bombas da PM são encontradas no Teatro Municipal

RIO - Mais de 20 bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, três balas de borracha e ao menos duas pedras foram encontradas neste sábado dentro do Teatro Municipal do Rio. O prédio amanheceu com um princípio de incêndio e várias marcas em decorrência do confronto entre policias e manifestantes nesta sexta-feira. No início da noite de ontem, perto do fim dos atos contra as reformas trabalhistas e previdênciárias, a Cinelândia se transformou numa praça de guerra e terminou com várias depredações e pelo menos sete pessoas feridas.

O Corpo de Bombeiros informou que ainda não há um laudo sobre a causa do incêndio. Bombeiros que estavam no local, contudo, apontaram que possivelmente foi provocado pelas bombas, uma vez que restos de artefatos teriam sido encontrados na sala. Não se sabe se os objetos foram disparados por policiais ou arremessados de volta pelos manifestantes.

Desde a sua inauguração, em 14 de julho de 1909, o Teatro Municipal nunca havia sido atingido como nesta sexta-feira, garante o vice-presidente da Fundação Theatro Municipal, Ciro Pereira. Pelo menos quatro perfurações são vistas nos vitrais, além de várias outras janelas quebradas. Já o incêndio atingiu uma sala que funciona apenas como depósito de materiais de reposição, como tapetes e luminárias. O espaço é isolado do resto do prédio e só pode ser acessado através de um elevador, o que ajudou a preservar o restante do teatro.

- Estou no Theatro há 40 anos e neste tempo já vimos inúmeras manifestações, desde os tempos de ditadura, as Diretas e outras mais recentes. Em nenhuma delas tivemos o teatro tão danificado - relata Ciro Pereira. - É uma coisa de todos, é público, quem faz isso causa um problema para ele próprio.

Por volta das 11h a energia foi restabelecida no prédio. Chefe do Serviço de Arquitetura e Conservação da Fundação Theatro Municipal do Rio, a arquiteta Marisa Assumpção diz que o custo dos reparos ainda será calculado.

- Esses vidros externos, por exemplo, eram originais, de 1909. Aparentemente não teve nada grave, o pior dano foi o vitral, cujo reparo é muito detalhado e delicado - diz Marisa.

Depois de vistoria no local, o Corpo de Bombeiros liberou o uso. Com isso, está confirmada para segunda-feira, às 17h, a estreia da opera Norma, de Bellini, que terá preços populares - R$10 para qualquer setor.

No entorno da Cinelândia, vários edifícios e estruturas exibem vidros quebrados. A escadaria do Teatro Municipal e o entorno do prédio exibem dezenas de pedras portuguesas soltas, que eram arremessadas durante o confronto.

A estação do VLT foi muito depredada, com várias divisórias de vidro quebradas, além do monitor do terminal para compra de bilhetes. Equipes de manutenção estão trabalhando no local.

A Cinelândia foi palco no início da noite da sexta-feira de algumas das cenas mais violentas durante os protestos. Centenas de pessoas se reuniriam no local para o ato final que, a partir das 18h, encerraria o dia de protestos e greve geral no Rio. Pouco depois das 17h, policiais militares lançaram várias bombas de gás lacrimogênio para reprimir um grupo de manifestantes que estaria praticando atos de vandalismo na altura da Rua Treze de Maio, nas proximidades do Teatro Municipal. O uso indiscriminado das bombas e os tiros atingiram as centenas de pessoas que aguardavam tranquilamente em frente ao palco montado em frente à Câmara Municipal, dispersando todos e acirrando o confronto.

Em locais próximos, como a Rua do Passeio, perto da Lapa, ônibus foram incendiados. Pneus e outros objetos foram queimados por alguns manifestantes em ruas como a Rio Branco e a Almirante Barros na fuga da polícia.


Globo Online | 29-Abr-2017 18:28

Princípio de incêndio atinge o Teatro Municipal do Rio

RIO - Um princípio de incêndio atingiu o Teatro Municipal, no Centro do Rio, na manhã deste sábado. Homens do quartel Central já controlaram o fogo, que começou por volta das 6h. Segundo o Corpo de Bombeiros, não houve vítimas.

Homens que trabalham no local disseram que há a suspeita de que artefatos utilizados, nesta sexta-feira, durante as manifestações da greve geral, teriam causado o foco de incêndio. O fogo atingiu o segundo andar do teatro.

Tapetes e estofados foram queimados. Há vidros quebrados no local. A Cinelândia foi palco no início da noite da sexta-feira de algumas das cenas mais violentas durante os protestos.


Globo Online | 29-Abr-2017 16:41

Morre vítima de acidente com carro alegórico da Paraíso do Tuiuti

RIO - Após ter o estado de saúde agravado nos últimos dias, a radialista Elizabeth Ferreira Jofre, de 55 anos, conhecida como Liza Carioca, não resistiu e faleceu na manhã deste sábado. Ela foi uma das vítimas do acidente com um carro alegórico da Paraíso da Tuiuti, em fevereiro, durante o desfile de carnaval na Sapucaí.

Links_tuiuti

Desde a última terça-feira, Liza estava internada no Hospital Quinta D’Or, em São Cristóvão. Antes, ela era atendida no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. De acordo com o marido, Paulo Guterres, Liza chegou ao Quinta D’Or em estado gravíssimo, com falência múltipla dos órgãos. Segundo ele, até o dia anterior à transferência, sua mulher estava aparentemente bem e fazia planos para quando saísse do hospital, como o de retomar seu programa de rádio sobre carnaval, “A voz do samba”, na Ativa FM.

— Foi tudo muito de repente. Ela estava muito bem, sorridente, queria voltar a fazer o que ela amava. De uma hora para outra, ela começou a delirar e foi perdendo a consciência. Foi uma surpresa, porque para nós o problema dela era ortopédico — contou Guterres.

Na sexta-feira, Guterres chegou a fazer um pedido em sua rede social para que os amigos orassem por Liza: “A piora dela foi muito grande desde o fim de semana. Quadro de anemia e agora também de sepse. Todos os meus amigos do Face, familiares e amigos dela, por favor, mantenham a fé e estejam comigo muito mais do que antes”.

No acidente, a radialista teve fratura exposta na perna e fratura na bacia e, durante o período em que esteve internada, chegou a fazer sete cirurgias.

A Secretaria municipal de Saúde informou que Liza apresentava um quadro de saúde grave e que estava no CTI quando foi transferida pela família.

A Paraíso do Tuiuti se manifestou por meio de nota: “Desde o fatídico episódio, a agremiação não se furtou em arcar com os custos do tratamento médico e oferecer apoio irrestrito ás vítimas com sequelas e ferimentos graves. Declaramos luto e mais uma vez lamentamos que as consequências do acidente tenham sido as piores possíveis”.

A Liesa também lamentou o ocorrido por meio de nota, assim como o prefeito Marcelo Crivella. “É com muita tristeza que recebo a notícia do falecimento da radialista Elizabeth Ferreira Joffe, vítima do lamentável acidente ocorrido no Sambódromo. Presto minha solidariedade à família e aos amigos de Elizabeth e agradeço publicamente todos os profissionais de saúde que lutaram para salvar sua vida”, disse o prefeito.

Pelas redes sociais, amigos e colegas da imprensa lamentaram a morte de Liza e prestaram homenagens à radialista.

ACIDENTE DEIXOU 20 FERIDOS

Elizabeth trabalhava como repórter da Ativa FM. Ela estava na área próxima à concentração quando foi atingida pelo carro alegórico. Ao todo, 20 pessoas foram imprensadas pela alegoria, a maioria trabalhava. O carro bateu na grade do Setor 1 no momento em que fazia a curva para entrar na Marquês de Sapucaí.

Quatro pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil e vão responder por atropelamento envolvendo veículos automotores terrestres. Os indiciados são o diretor de carnaval Leandro de Azevedo Machado; o diretor da alegoria Jaime Benevides de Araújo Filho; o engenheiro Edson Marcos Gaspar de Andrade; e o motorista Francisco de Assis Lopes. A pena para o crime varia de seis meses a dois anos de detenção.

Após prestar depoimento na delegacia, o motorista do carro alegórico chegou a pedir desculpas às vítimas e disse que não teve culpa pelo acidente. Na ocasião, Francisco apontou a parte acoplada ao carro como a razão para o desastre. Segundo ele, que tem 53 anos, sua visão ficava prejudicada por causa do adereço, e não havia orientação suficiente por parte de representantes da escola para que a alegoria seguisse guiada com segurança. Sobre isso, Leandro Azevedo, diretor de carnaval da Paraíso do Tuiuti discordou. Ele afirmou que, no momento do acidente, cinco pessoas orientavam o motorista.

Na segunda noite de desfiles do Grupo Especial, a estrutura de um carro da Unidos da Tijuca cedeu e pelos menos 15 pessoas ficaram feridas. Componentes foram retirados da alegoria pelos bombeiros, e integrantes da escola fizeram uma barreira para impedir que pessoas chegassem perto do carro, que atrapalhou a entrada das alas durante o desfile.


Globo Online | 29-Abr-2017 16:30

Bicicletas esperam para ser devolvidas às ruas do Rio

RIO - Lugar de bicicleta é na rua. O desejo de devolver ao Rio de Janeiro “magrelas” furtadas ou roubadas move Raphael Pazos, presidente da Comissão de Segurança no Ciclismo, que, após comemorar a aprovação da lei estadual de Destinação das Bicicletas apreendidas nas Delegacias de Polícia do RJ (2016), aguarda a regulamentação, através do Chefe de Polícia Civil Carlos Leba, para que elas possam ser doadas para projetos sociais. A expectativa é que até o fim do mês de maio, a 12ª DP (Copacabana) faça a primeira entrega de bicicletas ao Rio Estado de Bicicleta, uma ação da Secretaria Estadual de Transportes.

— A lei prevê que, se em 180 dias o proprietário não requerer seu bem, a bicicleta poderá ser doada. Mas temos bikes ocupenado espaços em delegacias há três anos. Essas bicicletas podem ser doadas para uso em cursos de mecânica oferecidos a jovens carentes, em patrulhamentos da Guarda Municipal, assim como serem transformadas em cadeiras de rodas. Sem contar que as bicicletas precisam estar nas ruas devido a sua eficiência para ajudar na mobilidade urbana — explica Pazos.

A segunda entrega de bicicletas apreendidas pela polícia também já tem destino. As 80 “magrelas” que aguardam na 13ª DP (Copacabana) para serem doadas serão levadas para a Associação de Assistência Social da Cidade de Deus.


Globo Online | 29-Abr-2017 16:24